Notícias

Moro conseguiu fissurar o governo Dilma

Moro conseguiu fissurar o governo Dilma

Moro conseguiu fissurar o governo Dilma – Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

O esfacelamento do governo Dilma tem um nome e uma causa: Sérgio Moro e Lava Jato.

Durante muito tempo os blogueiros progressistas acreditaram que o juiz Sérgio Moro desejava desancar o governo Dilma e pegar o Lula; a imprensa tradicional apostou todas as fichas na sede que o Moro tinha de enquadrar o ex-presidente. O que Moro queria na verdade era derrubar a presidente Dilma dentro do espaço institucional em que ela se encontra, ou seja, destituí-la ainda que ela esteja sentada em sua cadeira presidencial.

Moro poderia ter esfacelado a corrupção sem com isso achatar a indústria naval e colocar a Petrobras sob a mira dos entreguistas; poderia prender os empreiteiros, investigar suas ações e esquadrinhar o sistema de propinas sem com isso atravancar as obras que empregam milhares de brasileiros. Entretanto, o juiz federal da vara de Curitiba não se importa com o ônus de suas escolhas.

O sujeito brasileiro não se dá conta do quanto estas investigações têm onerado o ministério da Justiça e quantos investimentos na área do petróleo foram perdidos em nome de uma limpeza parcial da política brasileira. O juiz Sérgio Moro sabe perfeitamente disso. Seu sentimento de heroísmo provinciano o faz enxergar apenas as conquistas. Ele prendeu os homens mais poderosos do país, desbaratou um esquema de corrupção na maior estatal brasileira e assumiu o posto de herói nacional em lugar de Joaquim Barbosa, de quem deve ser pupilo.

Além disso, ele não enxerga um palmo à frente do nariz. Perdeu a dignidade de julgamento porque seu alvo não era a corrupção e sim o PT. De modo que a própria vitória de Moro foi o esquartejamento do governo Dilma e a criminalização do PT, bem como de todos os seus asseclas. Insaciável, ele sempre recorre à acusação sobre José Dirceu. Dirceu é, nas mãos de Moro, um brinquedo usual; basta faltar assunto e lá vem ele com novas acusações baseadas em velhas investigações que nunca se provam ou se fazem provar.

Mas a história sempre se encarrega de mostrar os heróis e os vilões em suas perfeitas feições e jamais sob o segredo de uma máscara. Não é de ficção que estamos falando. É sim de uma realidade abrupta que deixa milhares de brasileiros em condições desfavoráveis. Ninguém, em sã consciência, apoiaria a corrupção. Ela é o recrudescimento do crime, da falcatrua, do antiético. Por isso deveria ser combatida de forma sistêmica e não seletiva. Os rastilhos de corrupção espalhados nos outros partidos permanecerão como sementes e já não serão facilmente combatidas.

Toda má sorte de políticos aventureiros – inclusive de dentro das instituições públicas – se apropriou de uma parte do tacape para surrar o governo. O José Eduardo Cardoso é um arremedo de ministro da Justiça. A Polícia Federal, através das decisões deste juiz Sérgio Moro tem superado regras, leis e passado por cima da Constituição para fazer valer o que chama de justiça. E não custa lembrar que Moro é um juiz federal de primeira instância. Fosse noutro país a suprema corte poderia até ter colocado o juiz Moro em seu devido lugar. Mas é que aqui todo mundo requer o protagonismo para o seu umbigo. E o STF tem Gilmar Mendes.

base-banner22