Notícias

José Serra é blindado em documento da Lava Jato

José Serra é blindado em documento da Lava Jato

José Serra é blindado em documento da Lava Jato – Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

O nome do senador José serra foi escondido do relatório que constava as mensagens de Marcelo Odebrecht a vários políticos.

O empresário Marcelo Odebrecht usou as iniciais de nomes para identificar políticos nas muitas anotações encontradas nos equipamentos eletrônicos apreendidos na Operação Lava Jato. Os investigadores tentaram decifrar e contextualizar alguns deles, mas alguns foram preservados. Fizeram isso em relação aos senadores José Serra (PSDB-SP) e Blairo Maggi (PR-MT), que tiveram os nomes cobertos por tarjas pretas num relatório da Polícia Federal enviado ao juiz Sérgio Moro. O mesmo ocorreu com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, superior hierárquico da PF.

No caso de Serra, a PF analisou a seguinte anotação de Odebrecht, datada de janeiro de 2013: “adiantar 15 p/ JS”. Em seguida, os investigadores descreveram a situação, suspeitando que se refere a algum pagamento: “Temos menção a um adiantamento de 15, sem especificar a moeda e sua quantidades, para JS, o qual possivelmente indica a pessoa de José Serra”. Um tarja preta foi fixada sobre o nome do parlamentar no relatório policial que está disponível no sistema da Justiça Federal. Fato Online contatou a assessoria do tucano, que afirmou não ter “a menor ideia do que se trata”, referindo-se ao relatório.

Em outro trecho do documento, Odebrecht anotou “20M: a definir A. (sendo 12M de BM reclamado por V’i)”. Para os agentes federais, trata-se de dinheiro, e a suspeita inicial, embora descrita com muita precaução, recaiu sobre o senador Blairo Maggi. “A sigla BM pode se referir a Blairo Maggi, contudo não há indicações concretas de que se trate do mesmo”, afirmaram os policiais. No relatório policial em poder do juiz Sérgio Moro, o nome do parlamentar do Mato Grosso está coberto por tarjas. Por intermédio da assessoria, Blairo afirmou que desconhece o assunto.

A polícia citou ainda o ministro José Eduardo Cardozo, num situação que envolve o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O presidente da Odebrecht escreveu GM e JEC e falou de uma blindagem, sem acrescentar detalhes. Os investigadores não sabem do que se trata. O relatório policial enviado a Moro mostra o nome de Mantega por extenso, mas o de Cardozo recebeu também tarjas pretas.

A reportagem procurou a PF, mas ela ainda não se manifestou sobre o caso. Esse é o mesmo relatório que fez menções ao vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aos governadores Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Fernando Pimentel (PT-MG). No caso deles, porém, não foram fixadas tarjas pretas. Até porque as menções não estão relacionadas a valores.

Fonte: Fato Online

Relatório das mensagens de e-mail de Marcelo Odebrecht by Nossa Política