Blog do Mailson Ramos Notícias

Instituto Lula: do explosivo ao fundamentalismo político

Instituto Lula: do explosivo ao fundamentalismo político

Instituto Lula: do explosivo ao fundamentalismo político – Crédito: Reprodução/Imagens da câmera de segurança

 

O explosivo atirado à sede do Instituto Lula é mais uma mostra do que pode representar o fundamentalismo político e o ataque explícito às entidades e instituições democráticas.

O atentado ao Instituto Lula foi muito mais do que político; foi a confluência de fatores que nos últimos meses tem deixado a política brasileira mais sombria. Bandidos que assaltaram a Petrobras ganharam destaque quando passaram a delatar sobre tudo e sobre todos, a apontar dedos, bem como nos julgamentos e interrogatórios das bruxas de Salem. Mas a caça às bruxas da corrupção na Lava Jato não atingiu todos os partidos e tampouco alcançou todos os corruptores.

De vazamento em vazamento seletivo, entre manchetes construídas dia após dia sobre um conjunto de símbolos e signos engessados, o PT foi criminalizado com gérmen da corrupção neste país; tornou-se justo esquecer-se da senhora corrupção e fazer de conta que ela era uma mocinha de doze anos. Príncipes da privataria e afins deixaram seus passados de ladroagem e passaram a apontar o dedo com uma mão e com a outra erguer a bandeira da ética.

A imprensa refletiu o pensamento monolítico e a ideia de que o brasileiro ainda forma uma massa manobrável. As redes repercutiram o que somente a imprensa hegemônica é capaz de publicar e replicar; a presidenta Dilma foi alvejada em sua integridade moral, colocada frente ao patriarcalismo de uma nação que jamais aceitou ser governada por uma mulher. Não foi o PT o partido que mais recebeu propina, mas o PSDB, segundo informações do site Às Claras, entretanto os setores conservadores deste país alimentavam há muito uma ojeriza ao partido do governo.

O artefato caseiro que explodiu em frente ao Instituto Lula poderia ser de maior impacto; poderia atingir uma pessoa na calçada; poderia trazer ao país uma realidade espantosa se alguém fosse atingido com gravidade. O fundamentalismo político é uma árvore seca que faz brotar frutos muitíssimo amargos. Esta talvez seja uma antecipação em menor escala do que poderá acontecer neste mês de agosto, quando as forças conservadoras preparam um ataque ao governo.

O brasileiro não pode concordar com o que se apresenta: a democracia deve ser respeitada; o direito de pertencer ou não a uma entidade partidária não pode ser vetado por ninguém. Transformaram a imagem do petista – seja ela de qualquer instância, ordem social ou institucional – em sinônimo de corrupção e ladroagem. No enredo da recente história brasileira o PT sobrevive diante de duas perspectivas: foi o melhor e o pior da política num espaço de treze anos.

Na última semana o ex-presidente Lula comparou a perseguição midiática ao PT como os “nazistas perseguiam os judeus”. Aqueles que não acompanham a política todos os dias no noticiário não podem se dar conta da veracidade desta comparação: o PT não paga pelos erros de seus filiados envolvidos em escândalos de corrupção. Paga porque os poderosos não o querem mais no poder; porque a vontade de 54 milhões de pessoas não deve prevalecer diante dos “ideais grandiosos do país”.

E se o brasileiro, o simples trabalhador, não for capaz de interpretar o que se desenha neste cenário e aderir ao fundamentalismo, pobre Brasil. Deverá amargar derrotas e desventuras ainda mais pungentes. O discurso de que todos os culpados devem ser punidos (no âmbito da Lava Jato) não surte efeito; a operação da PF foi seletiva desde o início e passou a trabalhar sob a mecânica da imprensa: sexta-feira tem delação (ou apreensão), sábado e domingo as grandes manchetes e capas. O fundamentalismo político se alastra e logo não estaremos mais falando sobre crise de representatividade; o problema será muito mais complexo.

 

base-banner22