Blog do Mailson Ramos

O encontro entre Cunha, Gilmar e Paulinho

O encontro entre Cunha, Gilmar e Paulinho

O encontro entre Cunha, Gilmar e Paulinho – Crédito: J.Batista/Câmara dos Deputados

O encontro entre Gilmar Mendes, Eduardo Cunha e Paulinho da Força teve como assunto principal o impeachment; enquanto Cunha disse que não trataram deste tema, Gilmar confirmou a jornalista que trataram sim do impedimento da presidenta Dilma Rousseff.

O aroma do conchavo é rarefeito. Em Brasília, as forças conservadoras predominam em espaços múltiplos. Na última quinta-feira (9), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, se encontrou com Gilmar Mendes, Ministro do Supremo, e Paulinho da Força, deputado federal pelo Solidariedade.

A pauta era escabrosa: discutir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A combinação entre o trio era dizer que a pauta da discussão era o Código de Processo Civil, mas a tacanhice de ambos foi açodada pela inteligência alheia: o que faria Paulinho da Força numa discussão sobre código civil?

Mas não foi apenas pela presença de Paulinho da Força que os jornalistas chegaram à verdadeira pauta. Gilmar Mendes, com seu ego insuflado ao máximo, revelou a tratativa: falaram sim sobre as condições de permanência de Dilma Rousseff no poder. E imaginemos amigos leitores o nível das conversas.

Gilmar Mendes disse que o tema foi tratado “lateralmente” e explicou que seria necessária uma comprovação de abuso de poder político e econômico para que se discutisse o impeachment.

O fato é que a discussão sobre o impeachment [que é por si só uma truanice] não pode se dar clandestinamente e entre forças conservadoras envolvidas por este ar de conchavo. A República e as instituições públicas parecem estar amordaçadas por este ar de conspiração que não cessa senão em fortuitos momentos do cotidiano político.

A discussão sobre o impeachment, desde Fernando Collor, é a ânsia das oposições. Mas desta feita virou obsessão. Com este caráter obsessivo o Congresso tem travado lutas acirradas com o governo, saindo-se vencedor de todas elas. Sob o comando de Eduardo Cunha, os deputados formaram um bloco conservador e não deixam a base aliada respirar.

Quando se pensa que a discussão sobre o impeachment vai ser soterrada, lá vem um fato novo. Querem demover a presidente de sua posição vitoriosa e democrática. Querem apagar outubro de 2014 e imprimir uma agenda de poder na qual o povo vai perecer.

Se as forças do governo não se mobilizam, que se mobilizem as forças populares em defesa da democracia. Tem cheiro de golpe no ar.