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Eduardo Cunha rompe com o governo

Eduardo Cunha rompe com o governo

Eduardo Cunha rompe com o governo – Crédito: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados

 

Eduardo Cunha enfim revelou-se como opositor o governo, sem máscaras e retoques.

Mais um delator da Operação Lava Jato disse, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, recebia propina vinda de fraudes na Petrobras. Júlio Camargo disse à justiça que foi pressionado por Fernando Baiano para pagar propina em um contrato de navios-sonda com a Petrobras. O destinatário da propina seria Eduardo Cunha.

O vazamento desta delação fez antecipar o discurso de Eduardo Cunha previsto para logo mais. Aos jornalistas que o esperavam para uma coletiva, Cunha antecipou seu rompimento político com o governo:

“Eu, formalmente, estou rompido com o governo. Politicamente estou rompido. […] Vou pedir no próximo congresso do partido para que rompa com o governo”, afirmou. Temer se encontra em situação delicada diante da crise entre Planalto e o presidente da Câmara, já que acumula as funções de vice-presidente da República, presidente do PMDB e articulador político do governo com o Congresso Nacional.

Sem expor nomes, o presidente da Câmara afirmou que existe um “bando de aloprados” no Palácio do Planalto que age contra ele. A relação entre Cunha e o Executivo ficou extremamente tensa desde que ele assumiu o comando da casa legislativa, em fevereiro.

A presidência da República divulgou uma nota oficial na qual respeita as posições do deputado, mas pregou que o posicionamento político não pode interferir nas relações institucionais:

“NOTA À IMPRENSA

1) Desde o Governo do Presidente Lula e durante o Governo da Presidente Dilma Rousseff, o PMDB vem integrando as forças políticas que dão sustentação a esse projeto que vem transformando o País. Tanto o Vice-Presidente da República como os Ministros e parlamentares do PMDB tiveram e continuam tendo um papel importante no Governo.

2) O Presidente da Câmara anunciou uma posição de cunho estritamente pessoal. O Governo espera que esta posição não se reflita nas decisões e nas ações da Presidência da Câmara que devem ser pautados pela imparcialidade e pela pessoalidade. O Brasil tem uma institucionalidade forte. Os Poderes devem conviver com harmonia, na conformidade do que estabelecem os princípios do Estado de Direito. E neste momento em que importantes desafios devem ser enfrentados pelo País, os Poderes devem agir com comedimento, razoabilidade e equilíbrio na formulação das leis e das políticas públicas.

3) O Governo sempre teve e tem atuado com total isenção em relação às investigações realizadas pelas autoridades competentes, só intervindo quando há indícios de abuso ou desvio de poder praticados por agentes que atuam no campo das suas atribuições. A própria Receita Federal esclarece que integra a força-tarefa que participa das investigações da operação “Lava-Jato”, atuando no âmbito das suas competências legais, em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal seguindo determinações dos órgãos responsáveis pelas investigações.

Secretaria de Comunicação da Presidência da República”

Também o PMDB expressou suas impressões sobre os fatos ocorridos no dia de hoje:

“NOTA À IMPRENSA

A manifestação de hoje do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é a expressão de uma posição pessoal, que se respeita pela tradição democrática do PMDB. Entretanto, a Presidência do PMDB esclarece que toda e qualquer decisão partidária só pode ser tomada após consulta às instâncias decisórias do partido: comissão executiva nacional, conselho político e diretório nacional.

Assessoria de Imprensa do PMDB”

Com informações de agências.

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