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Eduardo Cunha é tudo menos um líder

Eduardo Cunha é tudo, menos um líder

Eduardo Cunha é tudo, menos um líder – Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

A revelação de que Eduardo Cunha pediu 5 mi de propina junto a Toyo Setal expõe sua deficiência máxima: ele é tudo menos um líder.

A revista veja publicou uma matéria sobre Eduardo Cunha há alguns meses. Tratado como estadista, o presidente da Câmara dos Deputados incorporou a atribuição a ele concedida. Ao longo das últimas semanas promoveu alguns eventos especialíssimos para as suas futuras aspirações: visitou a Terra santa ao lado de correligionários escolhidos a dedo, votou projetos que interessam apenas aos seus asseclas, dialogou sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff com o ministro do STF, Gilmar Mendes, e deu vida à ideia de pronunciar-se em rede nacional.

Com tudo isso se pode dizer que Eduardo Cunha é um líder nato e nasceu para a política. Errado. Eduardo Cunha é tudo, menos um líder. Ele é apenas o que disse o ex-ministro Cid Gomes: é um achacador de primeira linha. Se ele fosse um grande líder político não estaria interessado em esfacelar o país para derrubar a presidente Dilma Rousseff. Das raposas famintas existentes dentro do PMDB – e são muitas – ele é a principal, aquela cujo pelo caiu, mas o vício não perdeu. De certo modo a sociedade tem acreditado nas mentiras contadas pelos deputados sobre os trabalhos na Câmara. Seria mais digno dizer que na Casa do Povo não se faz política, se faz conchavo. E o mestre de todos os conchavos é o próprio presidente.

Liderança política no Brasil é raridade. Ainda é sob a figura de Lula que se resguarda uma parte da população confiante na política. Outras pessoas acreditam em perspectivas diferentes, mas mantém sua ideologia voltada para alguém. Eduardo Cunha não tem sectários, ninguém milita a partir de suas ideias, não há seguidores seus, senão os que aguardam um lugar ao sol. Na verdade o que ele tem é aduladores, deputados que rastejam em busca de apoio, de benesses e de poder. Para os mais sagazes não precisa dizer: Eduardo Cunha é um negociador. Quando se apossou da cadeira de presidente da Câmara colocou à venda as votações.

Não vai demorar muito até que o Brasil perceba as torpezas desta pseudoliderança. Enquanto a presidente da República não assume sua posição, mesmo à revelia da elite conservadora e dos encabrestados da mídia, o Brasil não terá a imagem de um líder institucionalizado. Precisamos de um líder com cargo e poder. De uma coisa se pode ter certeza: toda má sorte de conservadores, fundamentalistas, elitistas e abrutalhados que infestam a Câmara dos Deputados não pode eleger um líder para o Brasil. O líder deve ser escolhido pelo povo. Eduardo Cunha é nada mais que uma figura obscura. E sua batata está assando.

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