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Eduardo Cunha e a antecipação do fim

Eduardo Cunha e a antecipação do fim
Eduardo Cunha e a antecipação do fim – Crédito: José Cruz/Agência Brasil

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), exibe sinais claros de desespero. Não vai, entretanto, aceitar tranquilamente a aniquilação de sua já depauperada imagem.

Dilma reuniu-se com os ministros pela primeira vez após o acirramento da crise entre as instituições públicas, sobretudo após o ato final de Eduardo Cunha que será brevemente banido do assento de presidente da Câmara dos Deputados. Os assuntos discutidos nos encontros da coordenação política do governo não são divulgados previamente pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Mas pode-se afirmar que um dos assuntos principais foi Eduardo Cunha e a queda de sua máscara.

O Planalto e Rodrigo Janot estão sob a mira do deputado. Para ele, as instituições agiram de má fé e armaram uma arapuca para integrá-lo entre os delatados na Lava Jato. Júlio Camargo, empresário da Toyo Setal, admitiu que Eduardo Cunha recebeu 5 milhões de dólares em forma de propina. O acontecimento da manhã de sexta-feira (17) colocou fim à relação entre Cunha e o governo; uma relação que jamais existiu. Jamais existiu porque Dilma nunca foi a preferida do presidente da Câmara.

Enquanto Michel Temer finge não ver os fatos, chamando o rompimento de “crisezinha”, Cunha parece mais revolto do que nunca, embora o tempo trabalhe contra ele. Se o Ministério Público tiver um pouco da coragem e o destempero que costuma demonstrar contra os petistas investigados, Eduardo Cunha não chegará à primeira segunda semana do pós-recesso. Neste jogo decisivo, a presidenta Dilma Rousseff tem motivos o suficiente para comemorar a queda daquele que se tornou inimigo nº 1 do seu governo.

Existe um desgaste profundo da imagem de Eduardo Cunha. Este desgaste não se resolve com recesso, com discursos e muito menos com uma revolta. A política mostra o porquê é tratada, às vezes, como um jogo. Com a fraqueza de Cunha, os deputados governistas podem dar força e forma à ideia do afastamento do presidente da Câmara. É preciso pensar que a situação do deputado peemedebista é insustentável.

Enquanto se pensa que Eduardo Cunha vai agir com responsabilidade e vai respeitar as instituições públicas, o deputado dá amostras de seu descontentamento e queima as últimas cartadas. Como oposição que é – e sempre foi – colocará à apreciação da Mesa Diretora da Câmara onze pedidos de impeachment. São as últimas e dolorosas dores do presidente da Casa do Povo.

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