Blog do Mailson Ramos

Dilma precisa é de uma agenda popular

Dilma precisa é de uma agenda positivista

Dilma precisa é de uma agenda popular – Crédito: Júlio Cavalheiro/ Governo do Estado/ SC

 

A presidenta Dilma Rousseff precisa esquecer o ideário e partir para as ações efetivas: deve reencontrar o povo e refazer com ele as bases para colocar o Brasil no rumo do crescimento.

A presidenta Dilma Rousseff precisa se reconciliar com o povo brasileiro. Não governará sob a sombra de Lula e muito menos se livrará das amarras políticas construídas pelos adversários até aqui. Todo mundo sabe que os oposicionistas têm medo de encarar o golpe ou o impeachment de frente. Eles não suportariam o apelo popular pela defesa da democracia. E a democracia brasileira, ainda que imatura, é intocável.

O brasileiro simples não aderiu à sua candidatura por gostar da Dilma ou porque seu primeiro governo foi espetacular. Não. O brasileiro, trabalhador simples, votou no projeto que transformou o Brasil e deu nova condição para uma classe miserável se tornasse emergente. De lá para cá mais de 50 milhões de brasileiros abandonaram a linha da pobreza. O vulto dos últimos doze anos não pode ser suprimido por ameaças.

Entretanto, os erros precisam ser admitidos. A presidenta tem que se aproximar do trabalhador e mostrar que mesmo com todas as dificuldades, o projeto de governo está mantido. É preciso entender que os políticos sempre foram vistos como canalhas, sem dignidade ou palavra; a crise representativa de 2013 acirrou ainda mais esta percepção. E após os episódios da Operação lava Jato, que identificou uma crise ética não apenas no PT, mas em todos os partidos, a situação ficou mais crítica.

O brasileiro não deve, entretanto, adentrar na onda do impeachment com a intenção de substituir a presenta da República; o impeachment serve para punir um presidente corrupto e pelo que se sabe até agora, a presidenta Dilma Rousseff não cometeu crime algum. Quando Eduardo Cunha disse que somente aceitaria participar de uma acareação se Dilma também fosse convocada, é simplesmente para achincalhar. No umbral que Eduardo Cunha atravessar, haverá aí uma casa maculada. Dilma é uma pessoa digna e respeitável.

O que Dilma precisa fazer para dar um nocaute na crise é se reconciliar com as classes que elegeram os governos petistas até aqui. A tarefa é muito complexa porque, afinal, o próprio partido parece entregue; na Câmara, quem faz a defesa do governo é um deputado da base aliada, conhecido e reconhecido como Silvio Costa, um autêntico escudeiro político com propriedade e retórica. E ele não é petista; no Senado, temos visto Aécio Neves abandonar seu mandato para recorrer em todas as instâncias por uma ascensão antidemocrática ao poder.

Dilma não está isolada ainda, mas tem ministros insatisfatórios como o José Eduardo Cardoso (da Justiça); tem problemas muito sérios na organização do governo e no estabelecimento da base aliada. O enfraquecimento de Eduardo Cunha não é motivo para garantir a fuga desta crise política. Enquanto o peemedebista tiver munição para queimar, o governo deve se cuidar. Dilma Rousseff precisa reforçar a ideia de uma agenda popular e não apenas positiva. O ideário de um Brasil forte enfrentando a crise não a ajudará se as atitudes e os números continuarem caindo por terra.

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