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Congresso: o que representará o “agosto nebuloso”?

Congresso: o que representará o “agosto nebuloso”?

Congresso: o que representará o “agosto nebuloso”? – Crédito: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

 

Intransigência no Congresso Nacional, manifestações antigovernistas e a recrudescência do conservadorismo político: ingredientes de um agosto que tem tudo para ser nebuloso.

O Congresso Nacional prepara pautas-bombas não apenas para o governo. Mas será o governo o principal alvo das votações e apreciações das casas legislativas. Renan Calheiros disse à TV Senado, no início deste mês que viriam tempos nebulosos para a política brasileira. Eduardo Cunha, por sua vez, tem sido pressionado a analisar os pedidos de impeachment da presidenta Dilma e coloca-los em votação. Os manifestantes que ocuparam as ruas nos meses de março e abril retornarão ao discurso de rejeição à presidenta. Mas o que representará o mês de agosto e sua nebulosidade para a política nacional?

Haverá uma concentração de forças adversas ao governo. É ponto pacífico que a imprensa hegemônica, uma parcela conservadora da sociedade e um número considerável de descontentes darão coro ao discurso de impeachment. Mas eles não estarão a sós. O Congresso Nacional será a voz mais latente pela derrubada da presidenta Dilma Rousseff; terá ele um reforço incontestável, caso o TCU, do ministro Augusto Nardes, desaprove as contas do governo ou condene as tais “pedaladas fiscais”. O que se desenha é um quadro negativo para o governo, embora a presidenta e sua equipe estejam empenhadas em reagir.

Em reunião com os governadores, a presidenta Dilma pediu apoio justamente contra as pautas negativas a seu governo que serão apreciadas no Congresso. Foi de fato uma reação de defesa da democracia e mostras de um sincero republicanismo, uma vez que até mesmo os governadores tucanos garantiram apoio à presidenta. Vale lembrar que nesta perspectiva positiva para enfrentamento dos próximos desafios, o governo tenta se comunicar com a sociedade através de uma plataforma de interação chamada Dialoga Brasil. E nas próximas semanas existe a possibilidade de alguns pronunciamentos através da internet. Como referimos em outros artigos, a presidenta Dilma Rousseff precisa dialogar é com o povo.

E este diálogo deve ser constante nas próximas semanas. Todos têm em conta que a crise é muito mais política do que econômica e a confluência das forças institucionais poderá redirecionar o país de volta aos trilhos do crescimento. Os maiores enfrentamentos para o governo não se darão pelas manifestações, mas sim no Congresso nacional, onde a base aliada continua sendo aliada somente no nome. Contando-se voto por voto das pautas mais importantes na Câmara dos Deputados, é possível perceber que aliados do governo e blocos partidários não votam a favor do mesmo. Então, se pensarmos numa provável votação de impedimento da presidenta, quem poderia salvá-la? A base aliada que não é aliada coisa alguma?

Se os governadores conseguirem apoio com seus deputados e bancadas no Congresso, é possível que o agosto nebuloso não seja tão sombrio assim. A política brasileira precisa é de luz e luz de pensamento e debate. A participação popular é democrática e que desta vez não nos deparemos com referências ao golpismo, à ditadura, incitação ao ódio e desrespeito à opinião alheia. E uma coisa precisa ficar clara: não será esta nebulosidade a responsável por suplantar nossos ideais de democracia tão arduamente conquistados.

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