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Collor é o bode expiatório da vez

Collor é o bode da vez

Collor é o bode da vez – Crédito: Ana Volpe/Agência Senado

 

Enquanto alguns políticos envolvidos na Lava Jato tem suas vidas devassadas, outros passam ilesos ao poder do MPF. Por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, Collor virou bode expiatório.

O rastilho de pólvora que segue o senador Fernando Collor é o mesmo que deveria seguir Eduardo Cunha e Renan Calheiros, com a diferença de que os presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente, terão suas figuras poupadas. Não é possível acreditar na justiça seletiva do Ministério Público, sobretudo porque Janot escolheu suas vítimas e deixou outras voar: vide Aécio Neves.

Se o amigo leitor tem acompanhando o desenrolar desta trama, saberá que tanto Cunha quanto Renan é alvo de processos no SFT e estão envolvidos no esquema de propinas da Petrobrás. Naturalmente a curiosidade aguçada dos leitores os levará a questionar a justiça e a indagar por que os dois não são investigados com a mesma ânsia. É que o MPF está aparelhado. Nada a favor do senador Fernando Collor ou dos outros políticos que ontem tiveram suas propriedades devassadas, mas a Polícia Federal se transformou em instrumento político.

Fossem os juízes e delegados homens compenetrados na tarefa de acabar com a corrupção, não livrariam a pele de nenhum político. O que se vê é uma caça às bruxas. Petistas foram investigados, presos e o curso da Lava Jato seguiu deixando à margem os políticos dos outros partidos. Desde a lista de Janot, divulgada para êxtase da oposição (porque Aécio conseguiu se safar), os nomes de Eduardo Cunha e Renan Calheiros passam longe da Lava Jato, apesar de terem sido citados e o ministro Teori Zavaski ter acolhido a denúncia do MPF.

No mundo de fantasia da política brasileira é assim: somos todos compelidos a acreditar no que diz o Jornal Nacional. Assim, os cidadãos se tornam inertes diante da mentira contada dia após dia na TV Globo para mostrar que o PT é a origem de todo o mal da política brasileira. A agenda é repetitiva e há quem a adira em senso comum: não se contesta o parlashopping, ninguém se incomoda com as decisões arbitrárias e no fim reclamamos de uma crise econômica de fundo político.

Atrás deste assédio do MPF sobre Collor – e a seguir sobre todos os senadores envolvidos na Lava Jato – está a proteção a Cunha e a Renan. Não que o senador Collor seja digno de piedade, mas a verdade tem de ser dita: ele vai servir de bode expiatório, assim como tantos outros já esfacelados pela lei do quartel de Curitiba ou nas mãos deste digníssimo procurador-geral da República. O Brasil talvez seja a única República do mundo em que o judiciário, a imprensa e a oposição criaram um palanque midiático para o assassinato de reputações.

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