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A crise institucional dos três poderes

A crise institucional dos três poderes

A crise institucional dos três poderes – Crédito: EBC

 

Os três poderes da República brasileira parecem desalinhados. Figuras representativas têm demonstrado mais importância do que os cargos que ocupam.

Além da crise econômica existe outra que faz o Brasil padecer sobremaneira. É a crise institucional dos três poderes, definida pelo recrudescimento da representação de algumas figuras nestas três esferas. Existem pessoas que insistem em aparecer muito mais do que as instituições que representam ou subjugar as suas regras. Seja no judiciário, no executivo ou no legislativo, as forças divergem e soterram o que deveria ser a confluência das ordens republicanas. O país sofre com isso. E esta crise pode durar um bom tempo.

O judiciário brasileiro tem representantes na Suprema Corte que envergonhariam qualquer República do mundo. Gilmar Mendes é um deles. Ele costuma engavetar processos e dar prioridade a outros, enquanto repousam os ministros, seus pares. O judiciário, que um dia foi brindado pela presença de Joaquim Barbosa, hoje jurista no Twitter, agora vive a vangloriar o juiz Sérgio Moro. Moro é um juiz federal de primeira instância que conseguiu fissurar o governo Dilma e colocar no bolso até mesmo o ministro da Justiça.

A Operação Lava Jato se tornou um símbolo da luta pela corrupção; se houvesse mesmo uma confluência entre as força da República (como há em alguns países também democráticos), o judiciário transformaria a operação em outra coisa além do símbolo: esfacelaria a corrupção em todos os partidos, sem exceção. A Lava Jato é apenas uma ferramenta política para servir aos interesses da imprensa golpista e da oposição sem rumo. A Polícia Federal extrapola suas atribuições, prende, expõe, massacra e depois investiga.

Muito atrelado ao judiciário está o legislativo, embora os políticos que representem o Congresso Nacional estejam na mira do Ministério Público. É especialmente na Câmara dos Deputados que acontece uma das trocas mais sensíveis ao poder das instituições públicas. Eduardo Cunha apossou-se da representatividade da Casa por ele administrada. Ele baniu a ideia da colegialidade dos deputados e formou verdadeiras bancadas que o servem ou servem às suas votações. Ele criou um impasse entre a Câmara e o governo que sujeito algum consegue dirimir.

Diga-se de passagem, um dos grandes problemas do executivo é a relação truncada com o legislativo e o judiciário. Mas a falta de representatividade interna é assustadora no interior do próprio governo. Ministros débeis e inertes como o da justiça; ministros falastrões como o dos transportes; ministros apascentados como o das telecomunicações. Entretanto a culpa há de cair sobre os ombros da presidenta Dilma porque ela escolheu esta trupe de incompetentes. Há bons ministros? Evidente. Mas a representatividade deles para o governo é péssima.

A presidenta deve enfrentar os desafios, sobretudo os desafios daqueles que a contestam; em alguns momentos ela parece oscilar entre os desafios e o futuro, as críticas e a aceitação, o direito e o dever. Fora as pesquisas de Ibope e Datafolha que medem o imensurável, existem brasileiros esperançosos de que a crise (econômica, política e institucional) seja abocanhada pelo crescimento e pelo retorno da boa relação entre os poderes. É preciso acreditar que um futuro melhor aguarda o Brasil, apesar dos pesares.

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