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2 de julho: a voz do Brasil independente

2 de julho: a voz do Brasil independente

2 de julho: a voz do Brasil independente – Crédito: 2dejulho.org.br

 

2 de julho: a voz do Brasil independente

O site Nossa Política, em respeito à história do Brasil e, especialmente em honra à história da Bahia, publica um texto representativo sobre o 2 de julho, extraído de 2dejulho.org.br.

Certamente, você já ouviu a expressão “Chorar no pé do Caboclo”. Esse dito popular é comumente usado quando se vai pedir algo ou fazer uma reclamação. A origem dessa expressão veio com a fama dos Caboclos, ícones da Independência da Bahia.

O Caboclo representa os índios e mestiços baianos que lutaram pela Independência da Bahia contra as tropas portuguesas, derrotadas no dia 2 de julho de 1823. A escolha do Caboclo como símbolo maior da Independência baiana foi feita por populares que queriam uma figura que os representasse. Não queriam ninguém branco para não lembrar os portugueses, nem negro, porque os negros não eram valorizados. Escolheram, então, o caboclo.

Esse símbolo está presente nas comemorações da Independência da Bahia desde 1824, quando a população enfeitou uma carreta e puseram, sobre ela, um velho de descendência indígena e levaram-no, em cortejo, da Lapinha ao Terreiro de Jesus.

Dois anos depois, a figura do Caboclo foi esculpida. Considerando que um caboclo só passava a impressão agressiva, tentaram substituí-lo por uma figura mais terna e conciliadora, mas diante da resistência popular que não permitia a retirada do Caboclo, optaram por criar a figura da Cabocla, esculpida em 1840 ou 46 – não se sabe ao certo – à imagem da índia Catarina Paraguaçu, representando a figura feminina nas lutas pela Independência.

Nos primeiros anos da República, a elite política, na tentativa de tornar o cortejo do Dois de Julho um evento livre de aspectos religiosos, retirou os Caboclos do cortejo, mas sempre que estes não desfilavam, a população não comparecia às festividades e promovia seu próprio cortejo, em outra data.

Com muita persistência, os Caboclos permanecem nas festividades do Dois de Julho e saem nos seus carros alegóricos, em um trajeto que vai da Lapinha ao Campo Grande.

O Caboclo, trajado como guerreiro, traz uma lança e a bandeira do Brasil. É representado sobre um dragão que simboliza a tirania e a dominação portuguesa. A Cabocla, representação de Catarina Paraguaçu, traz a bandeira da Bahia.

Em Salvador, estes ícones só vão às ruas no dia 2 de julho. No decorrer do ano, ficam guardados no Pavilhão Dois de Julho, localizado no Bairro da Lapinha. De acordo com registros históricos, o pavilhão foi construído em 1835, quando a Associação Patriótica 2 de Julho providenciou o espaço. O Pavilhão Dois de Julho foi reinaugurado em 1918 pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

Todo ano, durante o período das comemorações do Dois de Julho, as religiões de matrizes africanas homenageiam os Caboclos, reverenciando-os como os “donos da terra”. Esta dimensão religiosa pode ser observada durante o desfile e permanência dos Caboclos nos pavilhões a eles destinados durante os cortejos em Salvador, Itaparica e Recôncavo. Pedidos, oferendas, cânticos, ornamentações, entre outras evidências relacionadas aos Caboclos, acentuam os aspectos míticos e religiosos.

Cachoeira

As comemorações na cidade de Cachoeira começam no dia 1° de junho e se estendem até o dia 25. O ato inaugural é a Levada dos Mastros da Bandeira, conduzidos por políticos e populares. Um vai para o Caquende e o outro para Ponta da Calçada, representando os limites da cidade à época das lutas pela Independência da Coroa Portuguesa.

 O ato simboliza a afirmação de Cachoeira e sua autonomia política da Colônia Portuguesa. Em reconhecimento da importância desta data, no dia 25, a sede do governo da Bahia é transferida para Cachoeira.

A festa de Cachoeira também tem como atrações principais o Caboclo e a Cabocla, que se encontram na véspera da festa, no dia 24. A Cabocla, sob os cuidados de uma mãe de santo, no terreiro de Candomblé, vem da cidade vizinha São Félix, e o Caboclo sai da Câmara de Cachoeira. Ambos se encontram na histórica ponte Dom Pedro II.

O cortejo do Dois de Julho de Cachoeira é bastante diversificado, alegre, em termos de atrações culturais, representatividade política e religiosa.

Itaparica

Em Itaparica, a festa só reverencia o Caboclo. Ela possui as mesmas características das festas de Salvador e Cachoeira, destacando-se especialmente mitos, heróis e episódios históricos dos acontecimentos locais relacionados às lutas pela Independência. Os índios Guaranis são a atração e condutores da festa, que nos últimos anos tem apresentado uma crescente vitalidade. Vale acrescentar que o Dois de Julho itaparicano na verdade é comemorado no dia 7 de janeiro, quando da expulsão dos portugueses da Ilha pelas tropas brasileiras e população local. Esta celebração foi uma das principais responsáveis pelo reconhecimento de heróis populares, a exemplo de Maria Felipa, hoje elevada à condição de heroína da Independência da Bahia.

Caboclos ganharam destaque, também, em outras manifestações artísticas, culturais e religiosas. Os Caboclos de Itaparica foram tema de exposição fotográfica no Museu Afro Brasil, em 27 de agosto de 2011. Na oportunidade, foram expostas a diversidade e a exuberância da manifestação cultural do grupo Os Guaranis que, por meio da exaltação ao maior representante da festa, o caboclo Tupinambá, reverencia a raiz mítica da formação do povo brasileiro.

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