Blog do Mailson Ramos

O resgate do verdadeiro nacionalismo brasileiro

O resgate do verdadeiro nacionalismo brasileiro

O resgate do verdadeiro nacionalismo brasileiro

No Brasil, poucas personalidades contêm a sua essência. Pouquíssimas. É preciso não confundir oba oba com nacionalismo de verdade.

A bandeira do nacionalismo brasileiro continua estendida no chão. Jaz atirada sobre as calçadas, nos campos, nas periferias, no centro das metrópoles, nos estádios e em todos os lugares onde não reluz o sentimento de brasilidade. A bandeira do nacionalismo não fulgura na imprensa, muito menos nos partidos políticos e nas entidades a eles vinculadas; o nacionalismo deste país não é, com razão, uma bandeira aplicável aos movimentos que se lançaram em protesto nas ruas, com camisas da seleção de futebol. Não é nacionalista a justiça que diz ‘guerra contra a corrupção’ porque não homogeneíza os casos e fundamenta uma discrepância injusta entre partidos e políticos maculados pelos mesmos erros.

O nacionalismo deveria ser levantado como bandeira pelo próprio povo, consciente dos seus direitos e deveres, de suas atribuições cidadãs. Não o faz por despreparo e apego a instituições políticas ou vertentes ideológicas prisionais: as que desencorajam, descredenciam e sepultam as necessidades do sujeito social de deliberar sobre suas próprias convicções. Um homem sem convicções é o ponto isolado do ocaso de uma sociedade. Não há expectativas sobre seu futuro, portanto, não há o que esperar da sociedade em que ele vive. Entretanto, este sentimento de impossibilidade ou de passividade tem sido sedimentado pela imprensa ao longo dos anos.

A imprensa brasileira adere a todas as tendências: os países do primeiro mundo são sempre casas grandes espetaculares para nós, o quintal. O Brasil será recontado sempre, em verso e prosa, como uma ex-colônia metida a melhor nação do mundo, quando na verdade não passa de uma depauperada República de bananas. Nelson Rodrigues deu a toada do movimento: a imprensa brasileira sofre do complexo de vira-latas. E faz sentir-se assim todo aquele que madruga ouvindo, assistindo e lendo suas notícias aterradoras sobre o Brasil. A imprensa que germinou hibrida perece mostrar-se cada vez mais avessa ao Brasil. Porque o nacionalismo dos poderosos tem sido comprovado com o abandono à pátria ou o ‘eu posso morar em Miami’.

Os grandes partidos políticos deram uma demonstração de que não são nacionalistas. Deixaram escorrer por entre os dedos a chance de conclamar a população para debater o país: não o fez o PSDB e muito menos o PT. O período após a queda do ex-presidente Collor era a chance para mobilizar o país, mas os interesses da classe política estão acima de um objetivo maior. São sempre eles os primeiros a determinar que partidos e ideologias devam estar acima do bem nacional. Na verdade, não é possível andar dois metros na Câmara dos Deputados sem antes fazer uma pausa para conchavar. E isto se aplica inclusive ao interno das instituições do judiciário e do executivo. Vamos mal e não sabemos. Mas a bandeira do nacionalismo está estirada no chão, pisoteada por interesses maiores do que ela.

Não se pode dizer que houve a intenção de resgate deste nacionalismo por parte dos manifestantes das zonas nobres do país. Eles vestiram a camisa da seleção brasileira de futebol, como símbolo da nação, mas se esqueceram de denotar que carregavam sobre o peito o escudo de uma entidade mergulhada em corrupção, a CBF; foram cobertos e ancorados pela TV Globo, esta mesma emissora que esmaga o governo e esmaga ao mesmo tempo a cabeça do brasileiro dia após dia; lançaram campanhas de retorno do regime militar – a mais falsa e infame representação de um nacionalismo epocal – para referendar sua aversão ao atual governo; criticaram cubanos e venezuelanos que por certo têm muito mais orgulho de suas nações do que eles têm do Brasil.

Personalidades nacionalistas estão em falta. Não se deve dizer que não existe um Policarpo Quaresma perambulando pelas ruas deste país; mas se há, deve ter sido alvejado por noções catastróficas de que o Brasil vai afundar a qualquer momento. Nos últimos tempos, e com a força de propagação das redes sociais na internet, cada um cuidou de lançar candidatos à presidência da República: Joaquim Barbosa, Sérgio Moro, Jair Bolsonaro, Marco Feliciano e até Eduardo Cunha. O nacionalismo não está na figura de nenhum deles. Aliás, passa longe. No Brasil, poucas personalidades contêm a sua essência. Pouquíssimas. É preciso não confundir oba oba com nacionalismo de verdade. Aquele Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, é um herói como não são os heróis de hoje: vendidos. Ou compráveis.

Existem pessoas que carregam o nacionalismo sem nenhum estereótipo ou desejo de se expor. Há nelas uma expectativa de coragem. É preciso que as pessoas resgatem seu sentimento de amor pelo Brasil, não apenas dominado por qualquer ideologia ou por impressões erráticas de uma imprensa covarde. Noutro dia, o Estadão publicava uma comparação entre a força de trabalho do americano com a força de trabalho do brasileiro. E constatava: um americano é mais disciplinado e produz tanto quanto cinco brasileiros por hora trabalhada. Sabemos que isso não é verdade, senão nas análises frias das estatísticas. Com isso o Estadão subjugava o brasileiro trabalhador, aquele mesmo que pagina seus exemplares aos domingos. Não há nada de nacionalista na imprensa, também não há nos políticos. A bandeira do nacionalismo está estendida por aí. Cabe ao povo resgatá-la.