Blog do Mailson Ramos

Malafaia é uma mentira mal contada

Malafaia  é uma mentira mal contada

Malafaia é uma mentira mal contada – Crédito: Reprodução

 

Malafaia  é uma mentira mal contada

Salvador-Ba – Silas Malafaia é uma figura horrenda. Seus fiéis seguidores devem arrepiar os cabelos todas as vezes em que ele pronuncia a palavra inferno ou diabo. Digamos que a maioria dos pastores evangélicos são detentores da patente destes vocábulos. Nos últimos tempos, Malafaia investiu suas cartadas na política e conseguiu até vincular uma nova representação ao capeta: ‘o diabo no Brasil é o PT’. Não se pode contestar o pastor, uma vez que ele fala de cátedra, assim como todos aqueles que convivem com as palavras pecado, inferno, diabo e morte. Deus, aquele que pouco se ouve falar das bocas nos púlpitos nas igrejas, investiu Malafaia de uma nova cruzada: ele deve combater o PT que é a origem de todos os males no Brasil. E não está só. Tem ao seu lado Bolsonaro e Marco Feliciano. Pobre Brasil.

Se Deus soubesse com quem anda Malafaia iria destituí-lo de sua tarefa. Bolsonaro é aquele deputado que mandou desenhar um cachorro com um osso na boca fazendo referência às famílias do Araguaia que procuram até hoje os restos mortais de parentes desaparecidos na ditadura. Ele não é menos execrável do que Marco Feliciano, o pastor que em 2013 transformou o Twitter numa timeline de baboseiras como aquela de que os negros são descendentes amaldiçoados de Noé. Eles são pares e adeptos da chamada bancada evangélica. Mas, o que seria a bancada evangélica e que interesses defenderia no meio de “lobos” e “raposas” políticas que só pensam em dinheiro e poder?

Dizem que a bancada evangélica seria o terceiro maior partido da Câmara dos Deputados. A união dos homens de bem, em comunidade, remontando à igreja primitiva, deve por certo impulsionar as ações destes nobres deputados para salvar o Brasil. Entre eles está até o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que em tempos de austeridade aprovou a construção de um shopping, no Congresso, no valor de 1 bilhão de reais. De algum modo estes homens têm obedecido com fidelidade àqueles que os auxiliaram em campanha: as empresas privadas. Nada de impedir que as nobres empresas continuem auxiliando homens valorosos a alcançar suas abençoadas cadeiras na Casa do Povo. Mas nem sempre o auxílio das empresas garante o assento no acolchoado das poltronas da Câmara. Precisam de votos de pessoas físicas, afinal, empresas não votam.

Os pastores, como Malafaia, não costumam encarar a disputa eleitoral como candidatos. Contentam-se em serem cabos eleitorais de sujeitos como Bolsonaro, Cunha ou Feliciano. Os fiéis nas igrejas não resistem a um pedido de voto permeado entre discursos religiosos e exigências doutrinais retiradas de uma cabeça que é mais um saco de pensamentos do que um cérebro. Se Malafaia acredita que “Deus trabalha com a lei da recompensa”, por que não eleger um evangélico para assumir um cargo público? Não há nada contra a ideia de que um cidadão, evangélico, possa exercer funções políticas. Entretanto, não se pode dizer que, sendo político, um homem possa evitar os conchavos e os indecoros a que se submetem todos os dias os engravatados de Brasília.

Silas Malafaia ainda diz que “não tem como um cristão autêntico votar no PT”. Bom seria perguntar se o cristão autêntico teria direito a aviões, vida de luxo e riquezas imensuráveis como tem o pastor. Cristão autêntico, como Malafaia não é, teria coragem de rebater as críticas de outro pastor que o acusa de “estelionatário” e “mentiroso”. Segundo o Pastor Caio Fabio, Malafaia não pode ser cristão autêntico porque “ele é só uma matraca verborrágica. É uma ejaculação oral em estado de esparrame”. Ele talvez seja um cristão autêntico que não vota no PT porque a Forbes o colocou como o terceiro homem mais rico do Brasil, com patrimônio de 300 milhões de reais, embora só declare 4,5. Cristão autêntico, como ele, não vota mesmo no PT.

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