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Lula: o que ele propõe ao PT?

Lula: o que ele propõe ao PT?

Lula: o que ele propõe ao PT? – Crédito: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

 

Lula: o que ele propõe ao PT?

Apesar do 5º Congresso Nacional parece que o PT não discutiu com clareza os seus próximos passos. Tanto é que o ex-presidente Lula continua definindo estratégias e lançando críticas até certo ponto ácidas sobre os seus correligionários. Suas declarações são muito importantes à medida que as críticas surgem num momento oportuno. O site Nossa Política reproduz artigo de Carta Maior.

As afirmações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o PT podem ser vistas de duas formas: como um puxão de orelhas público (e aí se considera que Lula esteja do lado de fora do partido) ou como autocrítica – e nesse caso, como petista, o ex-presidente estaria propondo ao seu partido uma reflexão sobre os rumos tomados pela agremiação desde que chegou ao poder, em 2003.

A segunda hipótese é muito mais razoável do que a primeira. Em um debate sobre os rumos da democracia, que teve o ex-presidente espanhol Felipe Gonzalez como conferencista, Lula tornou público o diagnóstico que faz do partido que ele criou, do qual é a figura mais importante e de onde nunca quis sair. São opiniões que tem expressado internamente desde que deixou de ser presidente da República, em 2011, e que se tornaram convicção depois do julgamento do Mensalão, quando o PT expôs sua enorme incapacidade de reação a situações de grande adversidade.

Não é um grito de guerra porque Lula está dentro do PT e de lá nunca quis sair. É uma proposta de revisão de processos internos e de abertura a um novo contingente de cidadãos que está fora da política porque não encontra abrigo nos partidos, e que está ansioso por se fazer ouvir.

Trata-se de dar novamente abrigo a uma parcela de eleitores jovens que está dispersa, não tem direção política e não vê abertura para se incorporar ao processo político. O PT deixou de atrai-los porque acomodou seus quadros às exigências do poder, não formou novos e consequentemente deixou de ter uma sólida base partidária, capaz de reagir e neutralizar os cada vez mais violentos ataques dos adversários.

Lula disse que o PT ficou velho porque realmente o PT ficou velho, junto com os seus quadros – do qual ele próprio faz parte. “Eu, que sou a figura proeminente do partido, tenho 69 anos e já estou cansado”, disse ele. Não é uma crítica. É uma constatação.

A incorporação dos jovens à política tornou-se um elemento central das preocupações do ex-presidente com o partido desde as manifestações de junho de 2013, que expuseram o potencial de inconformidade dos jovens com a política. Naquele momento, tornou-se óbvio que não era automática a adesão dos incluídos pelos governos petistas ao governo ou ao PT, e que o conjunto de políticas sociais levadas a termo pelo seu governo, e no primeiro mandato de Dilma Rousseff, não poderiam substituir o imprescindível papel de mobilização, organização e mediação que os partidos políticos devem exercer.

Este é um diagnóstico compartilhado por grupos expressivos do partido, conforme ficou claro no congresso nacional realizado entre os dias 11 e 14 deste mês em Salvador.

É difícil mudar a rota com o trem em movimento, mas é impossível transformar o partido sem que seu maior líder proponha claramente um debate sobre o futuro. E nas afirmações de Lula, feitas na segunda-feira, é clara a intenção de provocar a discussão interna. Na plateia, estavam companheiros antigos de militância sindical e partidária, parlamentares e membros da direção petista. O presidente do PT, Rui Falcão, só não estava lá porque teve que sair antes. É para essas pessoas que Lula falava.

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