História

Jânio Quadros e a simbólica vassoura

Jânio Quadros e a simbólica vassoura

Jânio Quadros e a simbólica vassoura – Crédito: Reprodução

 

Jânio Quadros e a simbólica vassoura

O artigo foi reproduzido de História do Brasil, de Voltaire Schilling.

Revelando-se admirável administrador, cioso da verba pública, puritano e moralizador, e, por conseguinte, sem máculas de corrupção, Jânio Quadros, logo após ter sido prefeito de São Paulo (1953-4), o primeiro a ser eleito desde 1930, conseguiu o feito de praticamente sozinho bater, em 1955, a máquina eleitoral do PSP (Partido Social Popular) de Ademar de Barros, um ex-cacique varguista que controlava politicamente o Estado de São Paulo.

O povo paulista o adorava, mesmo com suas costumeiras esquisitices e o seu jeito de falar estrambólico. Ideologicamente, Jânio Quadros era um poço de ambiguidades, oscilando entre os getulistas e os antigetulistas, fazendo sempre questão de aparecer como um homem que estava acima dos partidos, fora da intrigalha que alimenta a rotina de um político convencional. Não era de direita, muito menos de esquerda.

O símbolo da sua campanha era a vassoura, com a qual ele pretendia varrer a corrupção e a desordem instalada no País. A isso somou-se o seu inquestionável carisma, o que fez dele o mais prestigiado tribuno popular desde o desaparecimento de Getúlio Vargas. Logo, não foi difícil para ele bater o general Henrique Teixeira Lott, o seu principal adversário da coligação PSD-PTB, no pleito de 3 de outubro de 1960.

Empossado em 31 de janeiro de 1961, em meio a um mar de esperanças, sucedendo o governo bastante desgastado de Juscelino Kubitschek, que legou-lhe uma expressiva inflação, os sete meses de governo de Jânio Quadros revelaram-se uma autêntica esquizofrenia política. No plano econômico interno, ele aplicou as severas medidas de contenção determinadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), do qual obteve um empréstimo, removendo subsídios aos combustível e ao trigo, o que encareceu o transporte público e o pão.

No plano internacional, porém, advogou uma “política externa independente”. Em plena guerra fria, decidiu-se reatar as relações com a URSS e a China comunista (enviando João Goulart em visita oficial a Pequim), apoiou Fidel Castro contra os norte-americanos na questão do desembarque da Baía dos Porcos e, para profunda irritação dos militares anticomunistas e próceres da UDN como Carlos Lacerda, condecorou Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, símbolo da luta antiamericana no continente. Esta confusa mistura de medidas conservadoras, seguindo a cartilha do FMI, com a ação afirmativa na política externa, identificada com o Movimento dos Não-Alinhados, distante dos Estados Unidos, não poderia durar muito.

Além disso, esperava-se muito mais dele. Jânio, num surto de idiotice, proibiu o uso de biquínis nas praias brasileiras e suspendeu as brigas de galo em todo o País. A impressão que o país passou a ter é de que a montanha parira um rato, tamanho o despropósito entre as esperanças estimuladas e o resultado obtido até aquele momento. Foi então que deu-se o pior: Jânio Quadros renunciou!

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