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A incolumidade da fonte inexistente

A incolumidade da fonte inexistente

A incolumidade da fonte inexistente – Crédito: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

 

A incolumidade da fonte inexistente

No jornalismo a fonte é a portadora das informações. Espera-se delas a credibilidade e a confirmação de que seus dados, por mais anônimos que sejam, definam-se por um caráter de veracidade. A fonte precisa existir e, consequentemente, as suas informações. Acontece que nos últimos tempos, algumas redações tem colocado a fonte no submundo das mentiras porque elas nunca são totalmente identificadas. A fonte adquiriu a impessoalidade de um “amigo”, um “assessor”, “um correligionário”. E todas estas pessoas sem identidade definida acercam o ex-presidente Lula, o preferido das manchetes dos jornalões que se utilizam destes mecanismos para causar espécie aos leitores.

As fontes devem estar seguras. E ninguém nunca discutiu de fato suas existências; prefere o leitor acreditar que o jornal respeita todos os seus princípios de ética e jamais cometerá o crime de criar uma fonte inexistente. Acontece que a imprensa, em geral, replica a prática de citar fontes secretas o tempo inteiro. E são sempre manchetes espantosas sobre fatos dubitáveis. Parece que o valor da informação foi suprimido pela necessidade de manter um assunto em pauta. Se o ex-presidente Lula deve estar em evidência, é preciso encontrar notícias sobre ele. E não é apenas a procura por notícia sobre alguém; é a criação de um submundo quase ficcional em que o jornal se ancora. A explicação não varia: “Recebemos a informação de uma pessoa próxima ao ex-presidente”.

Através deste mecanismo, os jornais criaram factoides irrepreensíveis. O último deles deu conta de que Lula teria sugerido ao Ministro José Mucio Monteiro que investigasse as “pedaladas fiscais” para ‘dar um susto’ na presidente Dilma Rousseff. Não faz muito tempo “um assessor” disse que Lula afirmou: “Dilma deveria dialogar e articular mais”. Isso não é jornalismo. É disse-me-disse. Deixou de ser fato, se tornou conversa de alcova e não notícia. O verdadeiro jornalismo não deve ficar à mercê de notícias plantadas ou que não têm sua veracidade confirmada. Noutro dia, a jornalista Joice Hasselmann, de ‘Veja’, plagiou mais de 60 reportagens. Parece que o caminho da originalidade não tem sido seguido pela grande imprensa. Entre plagiar e plantar notícias existe uma linha muito tênue.

Descompromissos da Folha de S. Paulo

A Folha de S. Paulo, nos últimos dias mostrou seu descompromisso com a verdade e com a notícia. É vexatório saber que um grande jornal brasileiro não checa as informações, ou antes, ataca propositalmente uma figura política em nome de interesses nunca revelados. Levada pela ânsia de um noticiário puramente antigovernista, a redação da Folha publicou a seguinte manchete: “Lula pede à justiça para não ser preso por juiz da Operação Lava Jato”. A matéria se referia ao habeas corpus impetrado pelo consultor Maurício Ramos Thomaz, de Campinas (SP), supostamente com o objetivo de proteger o ex-presidente. Sem antes checar as informações e definir o conteúdo da matéria, o jornal decidiu publicar a notícia. Cinco minutos depois houve uma ratificação que não mudou em nada o teor da mensagem. Os screens publicados no site Nossa Política mostram o tamanho do erro da Folha de S. Paulo.

O bom jornalismo se transformou em peça de condecoração. Bons exemplos são raros e dignificam ainda o que parece escasso nas redações. Tudo se explica com a aversão da grande mídia ao petismo. Não se pode esperar outra coisa da Folha de S. Paulo em relação ao Lula porque um de seus proprietários, o Otavio Frias Filho, almoçando com o ainda candidato a presidente, indagou: “Como é que você quer governar o Brasil se não fala inglês?” Assim é a nossa velha imprensa: reacionária, elitista, desrespeitosa e agora – para assomar suas verdadeiras feições – ela é desprovida de fontes confiáveis.

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