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Eduardo Cunha e o não ao distritão

Eduardo Cunha e o não ao distritão

Eduardo Cunha e o não ao distritão – Crédito: Reprodução

 

Eduardo Cunha e o não ao distritão

Ainda ontem o Nossa Política repercutia o noticiário sobre a votação da PEC da reforma política e a ideia do distritão ressuscitada na maquiavélica mente de Eduardo Cunha. Pois parece que os deputados enfim resolveram dizer um não ao seu presidente. E devemos pensar que os deputados e seus partidos não estavam dispostos a alterar o sistema de quantificação e proporcionalidade dos votos. Eduardo Cunha queria arrastar os partidos medianos em praça pública e supervalorizar os dinossauros, como o seu PMDB. Ainda bem que pelo menos em benefício próprio (e do sistema) os deputados conseguiram dizer um não ao ‘homem do ano’. A matéria a seguir é do Estado de Minas.

A Câmara dos Deputados impôs, na noite de ontem, a primeira grande derrota do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O sistema eleitoral conhecido como distritão, adotado em apenas quatro países, defendido pelo peemedebista e pelo vice-presidente da República, Michel Temer, foi rejeitado. Apenas 210 deputados votaram a favor da proposta e 267 contra. Houve cinco abstenções. Para ser aprovado, eram necessários 308 votos.

Cunha, que assumiu a presidência da Câmara em fevereiro com a promessa de votar uma reforma política para o país, se empenhou fortemente pelo distritão. Ele pressionou partidos, especialmente os pequenos, e chegou a liderar o processo de atropelamento de comissão especial que debatia o tema há três meses e que ameaçava aprovar propostas divergentes das suas. Com quatro sistemas eleitorais (lista, distrital misto, distritão e distritão misto) derrotados, o modelo atual de votação proporcional para vereadores, deputados estaduais e federais continua valendo.

Pouco antes de o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), orientar a bancada a votar pelo distritão, o próprio Eduardo Cunha tomou a palavra e defendeu a aprovação da medida. “Se esta Casa decidir não aprovar nenhum modelo, manterá o que existe hoje. Será uma decisão na qual a Casa vai assumir a responsabilidade, qualquer que seja ela”, disse. Picciani reforçou: “Vamos decidir agora se a manchete de amanhã será que a Câmara iniciou a reforma política ou se a Câmara enterrou a reforma política”.

Após a derrota, aliados de Cunha discursaram para dizer que o peemedebista é um vitorioso. “Ele prometeu votar a reforma política. E votou”, declarou Marcelo Aro (PHS-MG). O bloco do PMDB, DEM e Solidariedade orientou as bancadas a votar favoravelmente ao distritão. O PCdoB, historicamente contrário à proposta, surpreendeu ao também orientar a bancada a se posicionar favoravelmente. PSDB, PSD e Pros, que originalmente eram contrários, liberaram as bancadas ao reconhecer que havia parlamentares simpatizantes com o distritão. Os líderes do governo e da oposição deixaram a escolha nas mãos dos deputados.

Antes da votação, Cunha falou sobre seu posicionamento. “A minha opinião já é conhecida. Eu acho que sim (que o distritão é o melhor sistema). Não há nada pior que o sistema atual. Minha opinião. Mas, se o distritão não atingir 308 votos, significa que a Casa preferiu o sistema atual”, salientou.

O relator da comissão especial implantada para debater a reforma política, Marcelo Castro (PMDB-PI), tratorado por Cunha um dia antes, que impediu a votação do seu texto, distribuiu em plenário um panfleto alegando que o distritão representaria um retrocesso. “O Brasil está doente politicamente e a adoção do distritão acentua, hipertrofia, piora todos os problemas que já existem. (…) A finalidade da reforma política é melhorar e não piorar a nossa democracia”, dizia o texto do peemedebista.

O deputado Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) ironizou a derrota de Cunha. “Fiquei surpreso com a votação sobre distritão, porque o nosso presidente tem demonstrado um poder enorme de influencia e eu duvidei até ver que foi uma diferença significativa”, afirmou Rodrigues ao subir à tribuna para criticar o financiamento empresarial de campanha, tema debatido em seguida.

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