Blog do Mailson Ramos

Quer acabar com a corrupção? Seja honesto!

Quer acabar com a corrupção? Seja honesto!

Quer acabar com a corrupção? Seja honesto! – Crédito: Mailson Ramos

 

Quer acabar com a corrupção? Seja honesto!

A velha máxima brasileira de que todo político é desonesto nunca foi tão repetida como nos últimos tempos. Guardadas as devidas proporções do montante político e separando o joio do trigo, é possível perceber que a corrupção não é característica apenas dos engravatados de Brasília. O que se coloca em discussão é o péssimo hábito de algumas pessoas que querem levar vantagem em tudo. Seja na política ou não. Para elas, a prática destas artimanhas cotidianas não afeta sua ética e consciência. Convém dizer que se torna habitual e define um paradigma de construção do que se chama de jeitinho brasileiro. O jeitinho brasileiro pode ter duas definições distintas: uma que se refere às crises de ética e a outra, positivamente, ao empirismo e invencionices do sujeito brasileiro. Tratemos da primeira opção.

O pensamento sociológico viciado e as análises pouco profundas não contribuem para o entendimento real da situação. Atribui-se aos equivocos alheios a razão pela qual se comete os mesmos erros. Portanto, cortar a fila, estacionar em local inadequado ou sonegar impostos consiste em erros comuns e “aceitáveis”. A maioria das pessoas acha muito normal não devolver o dinheiro que encontra numa carteira perdida. É até vexatório dizer que se entregou honestamente o objeto e o dinheiro ao proprietário. Nesta configuração, talvez o sentido de honestidade traga consigo uma definição pouco lovável. É uma espantosa inversão de valores. É quando o equivocado ganha a representação de um sujeito “esperto”, tão vivo que não consegue se ater às dores conscienciais e éticas para voltar atrás e condoer-se com os seus próprios erros.

Ignorantia iuris nocet. A ignorância da lei é nociva e tem determinado caminhos desonrados aos que perseveram nesta insensata aventura. Esta infeliz ideia de sobrepor suas necessidades às necessidades alheias demonstra um egocentrismo doentio e uma alteração de sociabilidade denotada por senso egoístico incurável. É assim quando se finge dormir na poltrona dos idosos para não ceder lugar no ônibus lotado. Ou quando se considera o melhor estudante do mundo sabendo que o dez na prova não foi mais do que resultado de cola. Pensar apenas em si e construir às cercanias do seu eu subterfúgios para “se dar bem” o tempo inteiro é prova concreta da irresponsabilidade para com a nação e para com os seus pares cidadãos.

Num país onde se surrupia verba pública para merenda escolar, onde os mais poderosos estão preocupados em sonegar impostos, onde não se pode dizer que os únicos corruptos são os políticos não é possível atribuir a origem da corrupção. Ela não nasceu neste século. Porque tentam responsabilizar o Partido dos Trabalhadores pela originalidade de todos os males do Brasil, inclusive o mal da corupção. Se um dia a nação brasileira for capaz de depurar estas grandes falhas e enxergar nos erros individuais a bola de neve dos erros coletivos será um avanço civilizatório inestimável. Do contrário, enquanto Brasília funcionar como bode expiatório para uma imprensa sem credibilidade, para os eternos sonegadores da Receita Federal e para os poderosos mantenedores deste sistema nada mudará.

Com isso, não se pode dizer que os político são santos. Nem sonhando. A corrupção acontece pela supressão de uma consciência ética. E existem políticos cuja ética na supera um grão de arroz. A esses o sistema de representação deveria tratar com ferocidade: ineligibilidade. Acontece que a própria corrupção parece respeitar a um sistema muito poderoso capaz de dilacerar vidas, impor fracassos, definir eleições. Este sistema não se relaciona a um partido, mas divaga pelas múltiplas ideologias. A corrupção parece não afetar quem se diz nacionalista e sai às ruas vestido de verde e amarelo gritando intervenção militar. Não afeta nem mesmo aquele que segura um cartaz dizendo “sonegação não é corrução”. E o que haverá de ser corrupção no país do jeitinho?

base-banner22