Opinião

A prisão de Vaccari detona agenda positiva – Tereza Cruvinel

João Vaccari Neto é preso pela PF

João Vaccari Neto é preso pela PF – Crédito: Estadão

 

A prisão de Vaccari detona agenda positiva – Tereza Cruvinel

O PT foi pego de surpresa com a prisão do tesoureiro João Vaccari Neto e enxerga na decisão o propósito de detonar a agenda positiva que o partido e o governo começavam a colocar em prática. A prisão ocorre justamente no momento em que o PSDB põe a cautela de lado e abraça com mais determinação a tese do impeachment da presidente Dilma, embora reconhecendo a inexistência de base jurídica concreta.   Nos últimos dias a cota de oxigênio político havia aumentado para Dilma e o PT com os seguintes movimentos:

  1. Redução das tensões entre Congresso e Governo com a designação do vice-presidente Michel Temer para a coordenação política.
  2. Enfraquecimento quantitativo das manifestações de domingo passado.
  3.  Oposição do partido ao projeto de terceirização de mão-de-obra, restabelecendo suas pontes com sindicatos e movimentos sociais.
  4. Indicação de Luiz Fachin, um nome bem recebido pelo meio jurídico e boa parte do meio jurídico, para a vaga aberta no STF.
  5. Melhora em alguns indicadores econômicos, como o interesse da Shell pelo pré-sal e previsão de redução da inflação de abril.

Com a prisão de Vaccari,  estes fatos que vinham reduzindo a força da tempestade política  perdem força  e visibilidade, injetando gás na  oposição, a começar pela pregação do líder do DEM, Ronaldo Caiado, a favor do impeachment e da cassação do registro do PT.  O PSDB, através do senador Aécio Neves, adotou tom mais favorável ao impeachment e passou a considerar efetivamente iniciativa neste sentido se conseguir reunir elementos jurídicos mais consistentes, essenciais a um processo desta gravidade, que não pode assentar-se apenas no desejo das ruas anunciado pela pesquisa Datafolha.

A prisão do tesoureiro  altera  gravemente a conjuntura e fornece combustível aos adversários na luta de vida ou morte que tem como pano de fundo a Operação Lava Jato,  e como lançador de mísseis o juiz Sergio Moro.  Em com isso, cresce a dramaticidade da reunião do diretório nacional do PT marcada para amanhã, quinta-feira, 16. O partido já estava indo dividido para a reunião, com a tendência Mensagem defendendo a saída de Vacari e a CNB radicalizando na defesa de sua permanência no cargo apesar de ele estar sendo investigado como suposto operador da arrecadação de recursos para o PT a partir do esquema de propinas montado na Petrobrás.

Antes da prisão,  a Mensagem, liderada pelo ex-governador Tarso Genro,  hesitava em levar sua moção à votação para evitar uma fratura exposta no partido.  O que se tentava era convencer Vaccari da conveniência política de um pedido voluntário de afastamento, enfrentando a resistência dele e de seus apoiadores. Agora, este seria de fato o melhor serviço que ele prestaria a seu partido e a si mesmo.

Tereza Cruvinel é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247.

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