Blog do Mailson Ramos

O Brasil de todos os nossos brasis

O Brasil de todos os nossos brasis

O Brasil de todos os nossos brasis

O Brasil é visto como um continente a caminhar. Persegue ritmos alheios e observa sempre a melhor das perspectivas: o primeiro lugar na preferência de sua gente. E de tantas outras que por aqui transitam.

O Brasil, visto pelo olhar mecânico da comunicação, é um conjunto de símbolos e códigos, produção e construção de sentido, informações e história gerenciadas num espaço físico e temporal que abrange os seus gentílicos, os brasileiros. Sentimentalmente, o Brasil é a terra mãe, berço esplêndido, solo abençoado, receptáculo dos heróis nacionais tombados pela sobrevivência da pátria. O Brasil é, em todas as definições, um país diferente. Indefinível. Diversificado e inconcluso como a Torre de Babel. Como ela é inclinado para suas grandezas e grandiosidades naturais. O Brasil é visto como um continente a caminhar. Persegue ritmos alheios e observa sempre a melhor das perspectivas: o primeiro lugar na preferência de sua gente. E de tantas outras que por aqui transitam.

Há quem discuta a formação da civilização brasileira. A miscibilidade de todas as gentes reunidas nesta terra ocasionou uma pluralidade extrema reconhecida não apenas pelas cores e matizes das peles. Vai mais além. O Brasil é um cruzamento infindável de religiões, idiomas, sabores e cheiros, saberes e dizeres. Indecifrável. O substantivo próprio Brasil é também – com a devida permissão da língua portuguesa – um substantivo derivado. Ao menos no conceito linguístico que define a lexicografia existe uma infinidade de acepções passíveis de uso. O Brasil é multicultural, imenso como como sua história. O brasileiro é causa, efeito e resultado deste processo de construção. É ele o responsável por fazer o coração deste país bater mais forte.

Dentre outros prismas e espectros onde se pode ver o Brasil, ele não está apenas no verde e amarelo das camisas das seleções esportivas; não está apenas na simbologia cartográfica e no lábaro hasteado nos mais altos edifícios de suas capitais; não está ainda na honrosa dignificação de seu hino nacional. O Brasil se expande no passo errante de uma criança no caminho da escola ou nos olhos de um trabalhador cujo suor reconforta a terra. Este país gigante pode ser tão pequeno e precioso quanto um pedaço de terra para quem não a tem. O Brasil é uma construção das classes inferiores erigido para os mais poderosos. Mas não são eles os detentores do sentimento de nacionalidade. Para descobrir a verdadeira definição deste país é preciso se concentrar em sua essência, retornar às origens, voltar ao campo.

As aves quando cantam não têm ideia da sonoridade. Elas não sabem que este ritual as colocam dentro da simbologia de Brasil. Porque em nenhum outro lugar do mundo se ouve gorjeios como aqui. E nem as Palmeiras são tão vívidas e imperiosas como aquelas nascidas nas florestas nacionais. Não há tratado que possa suprimir este sentimento de pertença. Ele é natural e faz ver o quanto pobre seria o mundo se não houvesse Brasil. A página resumida que coloca o Brasil como o país do carnaval e das belas praias, não pôde ser ampliada por causa da intransigência de sentido produzido pela indústria do turismo. Resume-se um país-continente em duas ou três qualidades interessantes ao mercado.

Cada brasileiro reconhece o seu pedaço de Brasil. Deveria reconhecer sua grandeza ou colocar em evidência as características únicas do país. É preciso explorar o orgulho de ter feito parte desta civilização. É honroso nascer brasileiro e descansar em seu solo esplêndido. Não há maior glória. Onde tombaram os heróis, devem tombar os seus sucessores. Enquanto isso permanece a ideia de que o Brasil tem campos verdejantes onde nascem as mais belas flores de nomes diversos, de Marias a Margaridas. E que os olhos de um jovem patriota sejam sempre tão vivos e respeitosos como os olhos daqueles que lutaram pela história deste país. Si vis amaria, ama. (Se queres ser amado, ama).