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As verdades que a TV Globo não quer ouvir

As verdades que a TV Globo não quer ouvir
As verdades que a TV Globo não quer ouvir – Crédito: Divulgação

 

As verdades que a TV Globo não quer ouvir

Escrevo há mais de dois anos sobre a péssima atitude da grande imprensa brasileira ao privilegiar o debate sem profundidade; cansei de definir os fatores: interesses escusos, hábito, descrença na criticidade do cidadão, desejo de pautar a história brasileira segundo suas visões deturpadas. O que mais incomoda é a insistência num debate raso, superficial e que somente fomenta inverdades. O jornalista da TV Gazeta, afiliada da TV Globo no Espírito Santo, mostrou tanto despreparo ao forçar a opinião de um professor doutor em sociologia que deu até pena. Isso mostra o que acontece quando uma emissora como a Globo convida um especialista de pensamento livre. Salva-se a emissora dos Marinho quando opta por um daqueles analistas acostumados a referendar o discurso dos jornalistas, a não aprofundar o discurso e corroborar com as meias verdades. Quando as verdades são ditas, causam espécie.

Casos de convidados da Rede Globo que fogem do script da emissora para tratar de temas delicados não são comuns – previamente selecionados, os convidados, normalmente, reforçam os posicionamentos da maior rede de TV da América Latina. O mais recente caso de fuga de script aconteceu no Bom Dia ES, programa de afiliada da Globo no Espírito Santo exibido pela manhã [vídeo acima].

O professor Vitor Amorim de Angelo foi confrontado, ao vivo, com temas que envolviam desde a corrupção na Petrobras até as manifestações do último dia 15/03. Abriu mão do simplismo e teve a ousadia de discordar de Míriam Leitão – jornalista referência na emissora – quando questionado sobre a possível participação de eleitores de Dilma nos protestos pró-impeachment.

Corrupção

“A corrupção é um problema complexo e, como tal, merece ser tratada com complexidade […] atinge todas as esferas do poder: Executivo, Legislativo, setor público e setor privado”, disse Vitor, causando algum desconforto em um apresentador que carregava consigo a missão de reforçar maniqueísmos políticos e responsabilizar um único partido por tudo de ruim que há no Brasil.

O acadêmico destacou ainda a importância das manifestações populares, mas mandou um recado para aqueles que nutrem uma sanha golpista: “A democracia é um regime de confiança, não de adesão. Portanto, não é uma opção aderir ou não ao resultado. Você faz parte desse sistema político no qual ela é presidente. O inverso também é verdadeiro: você venceu, mas não pode deixar de governar para aqueles que não te elegeram”.

Ao dispensar o script da moralidade seletiva e tratar os meandros da política profissional com racionalidade, Vitor Amorim incomodou a Rede Globo.

*Vitor Amorim de Angelo é professor de Sociologia, formado em História, com mestrado e doutorado em Ciência Política, membro do Laboratório de Estudos de História Política e das Ideias, com passagem pelo Centre d’Histoire do Institut d’Études Politiques de Paris (SciencesPo) e pesquisador do Institut des Sciences Sociales du Politique da Université de Paris Ouest-Nanterre La Défense.

Pragmatismo Político

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