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Não vai ter golpe!

Não vai ter golpe!

Não vai ter golpe! – Foto: Nossa Política

O site Nossa Política não concorda com as manifestações do dia 15 de março de 2015 por entender que a democracia e a constituição merecem o respeito de todos os brasileiros.

Protestar é um direito de qualquer cidadão, desde que as reivindicações não firam a Carta Magna de 1988. Entendemos que existe uma mobilização espúria da imprensa quando tenta influenciar a opinião pública contra um governo claramente em crise, mas que foi eleito pela vontade do povo. Pode-se pensar com isso que existe uma tentativa de desestabilização de um governo escolhido democraticamente para a instauração de um golpe de Estado.

E todas estas ações têm sido perpetradas especialmente pela TV Globo. Para os mais jovens e para todos aqueles que reverenciam a experiência e a história política deste país, em 1992, Leonel Brizola, governador do Estado do Rio de Janeiro foi chamado de “senil” em editorial de O Globo e no Jornal Nacional. Brizola brigaria dois anos na justiça por um direito de resposta, que foi concedido somente em 1994. Pela primeira vez na história recente deste país alguém disse as palavras mais verdadeiras em relação à emissora de TV dos Marinho. O âncora Cid Moreira foi o responsável por ler o discurso de Brizola.

Para além da história, esta publicação do site Nossa Política tenta mostrar aos amigos navegantes o quanto a TV Globo tem influenciado a opinião pública e quais são os seus verdadeiros interesses mascarados pela ideia ultrapassada do jornalismo imparcial. Leia e assista na íntegra o discurso de Brizola:


Todo sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui, citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro. Ontem, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar o editorial de O Globo, fui acusado na minha honra e, pior, chamado de senil.

Tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que use para si. Não reconheço na Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e, basta, para isso, olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura que por 20 anos dominou o nosso País. Todos sabem que critico, há muito tempo, a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou ontem, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípio. É apenas o temor de perder negócio bilionário que para ela representa a transmissão do carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a Passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar, de todas as forma, o ponto alto do carnaval carioca. Também aí, não tem autoridade moral para questionar-me. E mais: reagi contra a Globo em defesa do Estado e do povo do Rio de Janeiro que, por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior. E isto é o que não perdoarão nunca.

Até mesmo a pesquisa mostrada ontem revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria, antes, um dever para qualquer órgão de imprensa. Dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção. Quando ela diz que denuncia os maus administradores, deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante de seu poder. Se eu tivesse pretensões eleitoreiras de que tentam me acusar não estaria, aqui, lutando contra um gigante como a Rede Globo. Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado.

Quando me insultam por minhas relações administrativas com o Governo Federal, ao qual faço oposição política, a Globo vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível. Quem sempre viveu de concessões e favores do poder público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesmo. Que o povo brasileiro faça seu julgamento, e, na sua consciência lúcida e honrada, separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis e gananciosos.


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