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Financial Times: como pautar uma presidente

Dilma Rousseff na ONU

Dilma Rousseff na ONU – Crédito: TV do Servidor Público

 

Financial Times: como pautar uma presidente – Mailson Ramos*

Salvador-Ba – A presidente Dilma deve dar explicações sobre os fatos ocorridos na Petrobrás, uma vez que ela fazia parte do Conselho de Administração da Estatl; deve dar explicações ao povo brasileiro e para conter a sanha de quem ainda mantém na cabeça a ideia nefanda de golpe ou impeachment. A presidente Dilma deve exclarecimentos à população para clarear os caminhos de sua próxima gestão, para que os erros não se repitam.

A decisão de encarar este momento depende somente dela. Não cabe a ‘Financial Times’ ou qualquer jornal decidir quando a presidente deve se pronunciar. Na último sábado (31/01), o periódico britânico, que é ligadíssimo ao sistema financeiro e fiel aos interesses do capital, lançou uma requisitória a presidente brasileira: ela deve explicar o que sabia e o que não sabia sobre os esquemas de corrupção na Petrobrás.

Mas não foi apenas uma requisitória. O diário lançou também pautas e coordenou quais deveriam ser as questões principais deste debate. É intrigante pensar como um jornal britânico se interessa pelas coisas do Brasil, de modo a definir o caminho de um governante brasileiro, segundo sua opinião. E quanto vale a opinião ou os valores editoriais de um jornal? Será que vale mais do que a opinião pública ou o desejo dos brasileiros em também elucidar a crise na Petrobrás?

É evidente que uma das armas da imprensa é se arvorar do direito de defesa do povo. E isso – dadas algumas exceções – é claramente legítimo. O que não se pode fazer é determinar as decisões de um governo ou de um chefe de Estado. Quando estas imposições partem da imprensa brasileira não causam espanto, dada a relação conturabada entre imprensa e governo desde que Lula venceu as eleições em 2002.

Dilma deve de fato dar explicações mais detalhadas dos fatos ocorridos na Petrobrás: para lisura do governo, para amplificar o debate público em torno do assunto, para definir as bases de um novo comportamento para a estatal. Estas são minhas considerações; não passam disso. O Financial Times fez diferente. Pautou, definiu, pressionou a presidente. O povo deve fazê-lo. E um jornal britânico não deve e não pode representar as aspirações dos brasileiros.

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