História

1964: não houve revolução; houve golpe de Estado

1964: não houve revolução; houve golpe de Estado

1964: não houve revolução; houve golpe de Estado

Se houve revolução em 1964 foi uma revolução contra o povo. O direito popular foi colocado sob a mão forte de um Estado ditatorial violento, capaz de destruir qualquer foco de resistência.

1964: a história não deixa dúvidas. No mês de março daquele ano um movimento golpista depôs o presidente João Goulart e ocupou Brasília. Este movimento foi levantado pelo militares, numa resposta brusca aos ideais de reforma despertados pelo governo. Os militares teriam o apoio da parte mais conservadora da sociedade e definiram a queda da democracia no dia 31 de março daquele fatídico ano.

Mas algumas pessoas, de lá até aqui, têm citado 1964 como o ano da revolução. Mas que revolução? O conceito de revolução traz uma ideia muito otimista para ser aplicada a um golpe de Estado. Os militares destituíram a democracia, baniram o poder legislativo eleito pela vontade popular, desintegraram as instituições em nome de um projeto de poder, definiram políticas de cerceamento dos direitos civis.

Se houve revolução em 1964 foi uma revolução contra o povo. O direito popular foi colocado sob a mão forte de um Estado ditatorial violento, capaz de destruir qualquer foco de resistência. Não havia contestação política à instauração do regime; havia uma oposição moderada, suprimida pelo poder sabidamente repressor. Assim como desapareciam os ditos “guerrilheiros”, desapareciam também os políticos que ousassem fazer uma oposição acirrada nos moldes democráticos.

A partir de 1964 toda a liberdade de expressão foi cassada. Sofreram as artes, a imprensa, a opinião pública, o livre arbítrio. Os livros de história do Brasil deverão recontar esta história com muito pesar. O golpe deverá ser explicado sempre com referências depreciativas justíssimas. O limbo epocal que defigurou a democracia brasileira foi arquitetado por forças hegemônicas nem um pouco interessadas em lutar pelo povo. A propaganda nacionalista/patriota, aquela história furada do “Brasil: ame-o ou deixe-o” representou uma busca pela essência do brasileiro. Mas como resgatar a essência se não havia respeito aos direitos individuais?

O que incomoda é uma referência extremada à intervenção militar de 1964. É vergonhosa, medíocre e desrepeitosa esta petição. Qualquer brasileiro, em sã consciência, e compreendendo a história, deve repelir a ideia de golpismo. Os rostos de desaparecidos da ditadura, quase sempre exibidos em mosaicos recontam a triste história de suas famílias. Senhoras que morreram sem enterrar os restos mortais de seus filhos; pais que nunca puderam abraçar seus filhos novamente porque eles pereceram em porões de tortura.

Então, da próxima vez que alguém elogiar a época da ditadura militar ou reforçar a intervenção golpista de 1964, saiba que este sujeito não entende muito de história ou traz consigo os ideais conservadores e arcaicos que levaram parte da sociedade brasileira a apoiar a ditadura naquele período. A democracia deve ser estabelecida e respeitada por todas as pessoas. Devemos nos orgulhar da liberdade de expressão nas redes, nos blogs, do direito de criticar o governo ou um político; devemos nos orgulhar de poder ir às ruas e protestar. E que o 1964 seja abolido mesmo das mentes mais insanas.

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