Blog do Mailson Ramos

Bolsonaro: o show de horrores continua

Bolsonaro: o show de horrores continua

Bolsonaro: o show de horrores continua

Jair Bolsonaro pensa que representa os militares; não sabe que os militares, mesmo os mais conservadores, repudiam as suas pirotecnias.

Jair Bolsonaro é um militar da reserva e político brasileiro. Os textos biográficos espalhados pela internet o definem justamente com esta epígrafe. É uma apresentação superficial do que têm representado as posições pessoais e políticas deste deputado, seus embates carregados com fúria e conservadorismo. Bolsonaro é representante incondicional de um período amargo da nossa história, repudiado pelos brasileiros em geral: a ditadura militar (1964-1985). Idosos ou jovens, mulheres ou crianças, professores ou alunos, quem sentiu na pele ou leu nos livros de história, todos devem se lembrar do período sombrio que foi o regime ditatorial.

Enquanto diz não temer os processos diante das ofensas que direciona aos pares, às minorias e aos Direitos Humanos, Bolsonaro chama a atenção da mídia. Corre-se o risco de que a sua figura caricata, que sempre se jacta de atirar a verdade na cara da sociedade, prevaleça ante a sua face obscura e os seus projetos de poder conservadores ligados à negação de direitos inalienáveis à pessoa humana.

É torpe, insensato e desmedido. Parece chamar a atenção para si de uma maneira extremada e quase totalitária. O gênio arbitrário e, sobretudo autoritário concede-lhe um posicionamento estratégico no topo das notícias. Faz bem aos veículos definir um status midiático a uma figura controversa como ele.

Mas Jair Bolsonaro não é controverso. É um bojo de posições conservadoras, formado por uma ideologia quase que fascista. Não porque desrespeita as minorias; na verdade ele não as concebe como movimento existente. E isso é muito grave. O Brasil tem na Câmara Federal de deputados um sujeito extremamente conservador que é capaz de agredir uma mulher , a deputada Maria do Rosário – (PT-RS), de uma forma tão grotesca que é difícil analisar a debilidade de consciência deste sujeito. É preciso que os parlamentares, os partidos e a sociedade discutam o real significado de ter Bolsonaro como legislador. Não é possível aceitar as suas declarações antidemocráticas.

O Brasil segue um caminho tortuoso para reconhecimento de que o que nos mata é a desigualdade social, com as diferenças gritantes de quem não tem nada para comer e de quem joga comida fora. Quando não se respeita o direito alheio, as perspectivas de avanço são tolhidas. Há um atraso histórico quando nos referimos às políticas públicas de igualdade.

O Brasil não precisa de parlamentares com a indignidade de Bolsonaro e a sua ideologia ditatorial. Um sujeito extremado capaz de ofender uma mulher publicamente e incapaz de responder às críticas recebidas, baseado em fundamentos políticos e intelectuais. Eis a diferença entre um político sério e um destemperado, um desqualificado.

Vejamos se nos próximos dias a investida de alguns partidos contra Bolsonaro no Conselho de Ética surte efeito. É preciso acreditar na força das instituições contra este movimento conservador que faz ruir as mais simples concepções de respeito à mulher, por exemplo. Uma força intransigente e dotada da mais profunda aversão ao direito individual não pode permanecer na Casa do Povo, ainda que ela seja, hoje, a casa dos poderosos.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) divulgou todos os documentos das investigações desde sua instalação em 12 de maio de 2012. Divulgaram-se os nomes dos desaparecidos e reavivou-se no seio das famílias eternamente estigmatizadas a nefanda máscara do regime militar. É deste regime que nasce o político Bolsonaro. É esta ideologia que tenta injetar à força no sistema democrático. Espero que a democracia reaja com poderosos antígenos.

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