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Quem são os assassinos de reputações que mataram o reitor da UFSC?

Quem são os assassinos de reputações que mataram o reitor da UFSC?
Quem são os assassinos de reputações que mataram o reitor da UFSC?
Antes de se atirar para a morte – ou de sentir mãos invisíveis que o empurraram – Luiz Carlos Cancellier teve a sua honra ferida por um judiciário que se apaixonou pelos holofotes.

Prisões espetaculares sempre fizeram parte da expertise da Lava Jato; muito mais do que uma prática rotineira, assassinar reputações mesmo antes de comprovar a culpa de alguém se tonou um modus operandi.

Um homem honesto jamais permitiria ter a honra manchada por um espetáculo que visa somente amplificar um assunto na mídia. Para permanecerem no topo da agenda midiática, juízes não hesitaram em autorizar prisões cinematográficas, conduções coercitivas que desafiaram a Constituição e decisões autoritárias pautadas por decisões dignas de justiceiros e não de magistrados.

Os brasileiros assistiram a tudo sem perceber que insegurança jurídica havia se apossado das instituições e os direitos individuais suprimidos por aquilo que se convencionou chamar de “a luta contra a corrupção”.

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A morte de Luiz Carlos Cancellier, reitor afastado da UFSC, é mais um destes episódios grotescos da sanha de um judiciário autoritário que se vale da mídia para assassinar reputações. Porque um homem digno não sobrevive à execração pública, à destruição da sua idoneidade em praça midiática.

O estado policialesco que se formou no seio da República de Curitiba não se compadece das vítimas que faz; também a mídia, que compôs o espetáculo da prisão do reitor Cancellier, se nega a reconhecer a sua culpa na tragédia. Tragédia esta que comove, mas não é ainda motivo para que os brasileiros entendam como a Lava Jato assassinou reputações e continua a fazê-lo.

Quem matou o reitor afastado da UFSC não vê o perigo do punitivismo judicial a arrastar reputações para a lama, antes de investigações, antes da apresentação de algum indício ou prova criminal. No Brasil dos juízes estrelas que entram em sala de cinema pisando em tapete vermelho, a ordem primeira é mandar prender; aí vem o Japonês, o Hipster, os fotógrafos, os carros da PF em desabalada carreira, os agentes mascarados, as câmeras em tomadas aéreas: um espetáculo midiático para fazer babar qualquer diretor de Hollywood.

E se o cidadão preso for inocentado, uma notinha no rodapé do jornal.

Os algozes continuam lá. Sempre prontos para atirar na lata do lixo qualquer reputação em nome de três minutos de fala no Jornal Nacional. Embora não saibam, também eles não vão escapar da insegurança jurídica que semeiam neste solo arrasado.

3 Comentários

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  • A civilização ocidental não se recicla, não é original; repete a todo momento fases críticas e negras promovidas pela estrutura legal. Essa OPERAÇÃO LAVAJATO que tem os méritos de ter levado a conhecimento público, o MAR DE LAMA ao qual Getúlio Vargas já tinha se referido na década de 1950, também teve o condão de reacender uma caça às bruxas, como já tinha acontecido na também década de 1950, chamada de MCCARTHISMO nos Estados Unidos da América, com um ingrediente novo. Ao mesmo tempo em que se procurou remexer na corrupção, simultaneamente está se tentando tirar da vida pública, um COMUNISTA??? assim como o SISTEMA americano incriminou até Charles Chaplin. Para atingir êsse objetivo, o princípio básico do Direito IN DUBIO PRO REU, virou letra morta, e vai-se incriminando pessoas aleatòriamente . sem que haja culpa formada. Precisamos reeditar o 14 de julho de 1789, tomando o cuidado de não cometer-se os êrros do passado, sei que é UTOPIA, mas uma utopia possível . Essa CASTA formada pelo judiciário, que toma suas decisões com base em CONVICÇÕES e não em provas , precisa ser ENQUADRADA.

  • O professor Cancellier deu sua vida para que nós recuperássemos a estado de direito destruído pela mídia e seus juízes, associados a um MPF sectário, uma PF punitivista, um corregedor e uma professora que vêm conexão entre crime cometido há 10 anos com um mandatário recém-eleito. Só discordo do aposto “reitor afastado”. O afastamento do reitor foi o primeiro tiro da PF Marena no seu peito, seguido da proibição de ir ao campus da universidade de que era reitor eleito, culminando com a prisão dele e de outros professores da instituição em presídio (!) comum, submetidos aos tratamentos vis que se dispensam aos condenados nas chamadas casas de correição (?).