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Rocinha: Os ricos só vão à favela comprar drogas

Rocinha: Os ricos só vão à favela comprar drogas
Rocinha: Os ricos só vão à favela comprar drogas
Quem abastece e consome o mercado das drogas nas grandes favelas brasileiras são os ricos; aos pobres e negros cabe tocar o negócio espúrio sob a ameaça do Estado (polícia).

Quem mais lucra com o narcotráfico no Brasil? A questão é antiga e desperta discussões em todos os âmbitos da sociedade, sobretudo quando um fato novo como a intervenção do Estado na Rocinha coloca em evidência o crime organizado.

Entretanto, é preciso notar que existe um fator social nesta história. O rico, que entra com o seu carro importado na favela para comprar drogas – e, portanto, subsidiar o mercado –, não sofre represálias do Estado. A polícia não o incomoda e nem às suas nababescas festas regadas a entorpecente de todas as categorias e efeitos.

A polícia, como braço do Estado, não sobe na cobertura de um apartamento no Leblon para desbaratar uma ‘festa do pó’; não teria a polícia a audácia de invadir uma festa de mulheres bonitas, piscinas, whisky doze anos e… drogas à vontade.

Quando um rico é preso numa destas festas, pode ainda usar o meritocrático atributo das “costas quentes” e se safar numa boa sem que nem a polícia e muito menos a Justiça o incomode. Mesmo apreendido com 130kg de maconha, o escroque pode ainda fugir da cadeia alegando problemas psicológicos. Rico não vai para a cadeia porque está sempre doente.

Das aeronaves que levantam voos e pousam com toneladas de cocaína ninguém fala; também a polícia não está interessada em descobrir quem são os proprietários destes helicópteros e bimotores recheados de drogas. Os seus donos não querem ser incomodados. E não serão jamais.

Nesta história, a mídia trata de referendar as forças do estado. E acentuar as desigualdades. Militante da meritocracia, a mídia brasileira preserva o grande bandido, o narcotraficante que veste terno e gravata.

E tudo o que diz respeito à favela é criminalizado: os bailes funks, a arte dos jovens, como eles se vestem, como falam e como se comportam. A polícia, como braço do estado (com os seus mais tenebrosos resquícios da ditadura), trata o sujeito que vive na favela como um virtual usuário ou traficante de drogas. Não distingue ninguém. Não poupa ninguém da virulência em espatifar o sistema, em vão, na base da pirâmide.

E criou-se, depois daquele espetáculo no Morro do Alemão, a ideia da favela “pacificada”. A favela jamais será pacificada enquanto os burgueses continuarem, dos seus majestosos palácios, administrando o comércio ilegal das drogas.

Será sempre uma ideia utópica e injusta pensar que o combate às drogas deve estar somente na favela. Viveremos sempre a ilusão de uma Rocinha “pacificada”, cercada por poder militar que um dia vai sair e deixar retornar as mesmas forças que antes a ocupavam. Porque é cômodo. Mas é, sobretudo necessário. E quem vai recepcionar o burguês quando ele chegar em seu “carrão” pedindo, como diria Bezerra da Silva, “coca da boa”?

1 Comentário

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  • Primeiro ponto , não é só rico que usa ou compra drogas, tem muito ” pobre” que usa e compra tbm.
    Se o “rico” sobe o morro para comprar drogas nao é em parte culpa dele pela violência que gira em torno dessas comunidades e da própria sociedade. O problema começa na forma como a nossa educação e cultura são ensinados .Isso se deve pq para poder controlar uma nação e ter tantas regalias e benefícios públicos é mais fácil quando as pessoas são ignorantes . Privar o cidadão de um conhecimento de valor é o primeiro passo para os governantes se manterem no poder sem questionamento ou ameaça da sociedade por administrações duvidosas e ilegais. Segundo; essa violência já começa quando governantes de um País ou Estado usam de uma política suja e corrupta para permanecerem no Poder e usufruir ; como escrevi acima , de certas regalias e benefícios, o que acaba contaminando todos os órgãos públicos , e todo tipo de empresa que deseja se beneficiar dos ” favores politicos” para se favorecem de alguma forma . Se o Estado fosse realmente coerente com o que arrecada de tributos e impostos , e aplicasse na formação do caráter de seus indivíduos, tenho certeza que muitas pessoas independente da classe social nao estariam fazendo ou cometendo atos violentos ou ilegais contra o próprio sistema ou sociedade. Segundo ponto: Só para esclarecer ” Toda essa parte “FORMAL ” ou ” Legal ” do sistema ;só funciona e é mantida propositalmente pela parte Informal ou “ILEGAL ” . Então meu Caro Repórter antes de ficar fazendo matéria para querer justificar a culpa disso ou daquilo e se fazer de moralista. Vá se aprofundar nos “conhecimentos e acontecimentos” que regem esse País e o próprio mundo. …A “verdade” é uma grande mentira.