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O MBL não entende nada de arte; e nem de política

O MBL não entende nada de arte; e nem de política
O MBL não entende nada de arte; e nem de política – Foto: Tiago Queiroz/ Estadão
O Banco Santander cedeu às mesquinharias de um movimento que é milícia política, claque raivosa, resultado de uma parte fundamentalista desta sociedade doente.

A arte não precisa ser questionada. Do ponto de vista filosófico a suspensão da exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, sobre diversidade sexual, que estava em cartaz no Santander Cultural, em Porto Alegre, estabeleceu a abertura de um perigoso precedente no Brasil.

Não contentes com a recompensa obtida pela fraqueza do Santander, estes grupos que esbanjam um conservadorismo cego e ignorante, vão promover outras balbúrdias para cancelar mostras de arte que, por acaso, não agradarem às suas posições reacionárias. O ideário desta gente é queimar livros, suprimir ideias e destruir tudo aquilo que vai de encontro ao seu pensamento.

E que nome se dá a isso senão fascismo? Esta cadela está sempre no cio. E no Brasil ela arrasta cães raivosos de norte a sul, sob o inebriante sentimento de “nacionalismo”, aquele mesmo que fez Hitler submeter um país inteiro aos seus ideais.  Esta falange que carrega o nome “Livre” não entende nada de arte e certamente não nada conhece de política, de democracia, de respeitar o direito do outro na simplicidade das disposições da Constituição sobre os direitos individuais.

Esta gente se disse apolítica para subir em trios e pedir o impeachment de Dilma Rousseff; se disse apartidária para eleger prefeitos de sua preferência; se disse contra a corrupção para insuflar massas contra o PT, quando silencia vergonhosamente diante dos escândalos deste governo que apoia em surdina. Os traços deste movimento na sociedade são tortuosos e deixarão marcas negativas muito visíveis para quem quer um país mais justo.

Do ponto de vista da arte, o MBL é uma tela cinza. Como as paredes da cidade de São Paulo, cujo prefeito é por ele apoiado. É um misto profundo de nada com coisa nenhuma. Mas cercado por interesses de quem deseja manipular claques. Um dia eles farão manifestações para proibir mostra de arte – seja ela qual for –, noutro dia proibirão lançamento de livro e num terceiro vão reagir com violência diante de tudo o que se contrapõe à sua deturpada visão.

E vai ter gente aplaudindo. Por isso o uso anterior da expressão sociedade doente.

2 Comentários

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  • Mas não fizeram o mesmo com o filme da PF, não é? A gente está vendo o cerco se apertar sobre as riquezas e a força de trabalho brasileira. Já pensaram que um paisão destes está prestes a ter suas terras distribuídas a europeus e americanos ricos, que se declararão independentes com apoio de exército pago pela banca internacional. O novo Santiago Dantas não será os, digamos, sem discurso do MBL; talvez o chanceler Temer ou Aécio Cunha (li ontem e gostei).