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Michel Temer e a complacência dos hipócritas

Michel Temer e a complacência dos hipócritas
Michel Temer e a complacência dos hipócritas – Foto: Antonio Cruz/ABr
Retirar Dilma Rousseff do poder foi apenas uma maneira de estabelecer medidas de austeridade para os pobres e privilégios para os ricos. Com a complacência dos hipócritas.

Fallacia alia aliam trudit. Diz o provérbio em latim que uma mentira sempre acarreta outra. Para colocar Michel Temer no poder e investir a sua ascensão com legitimidade e apoio popular, a mídia tradicional estampou em manchetes as conquistas porvir, a recuperação econômica, o restabelecimento do Brasil diante da crise, tempos de bonança. Era a primeira das grandes mentiras para ludibriar o povo brasileiro.

Quando encampou a ideia das reformas, Michel Temer usou dos próprios recursos do tesouro nacional para propagandear as alterações que faria nas leis trabalhistas, previdenciárias e fiscais. Usou a proporia máquina pública para oferecer vantagens (cargos e emendas) a parlamentares que se dispusessem a votar contra o povo e aprovar as medidas de benefícios aos mais poderosos.

Estabelecido no poder por um golpe – sem a necessidade de apoio popular porque tem o Congresso Nacional aos seus pés – Michel Temer foi personagem principal de um escândalo de corrupção que colocaria qualquer petista atrás das grades em algumas horas. Mas, como líder de organização criminosa, comprou deputados, exonerou ministros para votarem a seu favor na Câmara, prometeu mundos e fundos aos parlamentares indecisos. Por angariou apoio necessário para escapar de julgamento no STF que poderia afastá-lo do poder.

Com ar renovado, parte para mais empreitada que pode destruir definitivamente o país: as privatizações. É surreal pensar que um presidente da República possa privatizar a casa que confecciona a moeda nacional. A privatização da Casa Moeda é um dos principais objetivos de Temer; além dela, o ilegítimo pretende privatizar a Eletrobras, a Lotex (braço da Caixa para as Loterias Federais) e o Aeroporto de Congonhas. Os bilhões recebidos por estas vendas estarão nas mãos de Temer e a sua quadrilha para comprar votos num futuro breve.

Recentemente, Michel Temer extinguiu uma reserva indígena e liberou a mineração próxima às tribos; perdoou dívidas de R$ 10 bilhões dos ruralistas; aos bancos, o perdão foi de mais de R$ 300 bilhões. No último mês, 543 mil beneficiários foram cortados do Bolsa Família, entre eles pais e mães desempregados e que sofrem com a crise econômica. As contas inativas que liberou do FGTS só serviram para o pagamento de dívidas com os bancos, aqueles que foram perdoados por este governo imoral.

No silêncio das noites e das madrugadas – e fora da agenda oficial, Michel Temer se encontra com autoridades; assim foi com Gilmar Mendes e com a nova PGR, Raquel Dodge, escolhida pelo próprio usurpador para ocupar a vaga de Rodrigo Janot. E afirmou em entrevista que conversa com quem quiser e onde quiser.

Temer é a representação mais impura da complacência dos hipócritas; daqueles que foram às ruas para demover um governo legítimo e eleger em seu lugar de forma indireta uma organização criminosa; deve-se à imprensa o desfavor da corrupção sediada no Palácio do Planalto; dos paneleiros a desfaçatez e o silêncio; do Congresso Nacional que não representa o povo em nada. O trabalhador pobre é quem vai pagar por terem colocado o Brasil nas mãos do banditismo.

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