Um judiciário de vanglorias, glórias vãs e modéstia às favas

 

Um judiciário de vanglorias, glórias vãs e modéstia às favas

Um judiciário de vanglorias, glórias vãs e modéstia às favas – Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF (06/10/2011)

O protagonismo do Judiciário brasileiro esconde a corrupção que nele se instala. E deixa transparecer apenas a sua fome por publicidade e fama.

Um procurador do Ministério Público exibe, de forma nada natural, que conquistou 100 mil seguidores numa rede social; um ministro da Suprema Corte e também presidente do Superior Tribunal Eleitoral, manda a modéstia às favas e diz a um ministro, relator de ação, que o processo só foi à frente por sua causa.

E pondera ao colega: “Vossa excelência hoje é relator e tá brilhando aí na televisão do Brasil todo…”.

Deltan Dallagnol e Gilmar Mendes são frutos da mesma árvore. São resultados de um Judiciário que se estabelece sobre uma publicidade desnecessária ao cumprimento das suas funções.

Enquanto nas sólidas democracias, os ministros das Supremas Cortes aderem ao anonimato, reservados apenas às funções conferidas pelos seus cargos, no Brasil criou-se a ideia de que membros do Judiciário precisam aparecer todos os dias na televisão.

Não é por necessidade.

É ânsia por fama, por ter o nome ou a própria presença garantida nos meios de comunicação tradicionais. É fundamental perceber que a classe política – e mesmo os políticos que jamais se envolveram em esquemas de corrupção – perdeu o lugar para os membros do Judiciário.

Não é à-toa que Joaquim Barbosa, ex-ministro e presidente do STF, não descarta a possibilidade de se candidatar a presidente da República em 2018.

A ordem institucional foi alterada e isso começou na Lava Jato com a espetacularização de prisões, com o mantra desenfreado da luta contra a corrupção, com o rechaço à política e com a criação de ícones comprometidos com em manter a boa imagem diante da sociedade a ferro e fogo.

Na verdade estas figuras são muito mais pertencentes à política do que à justiça, uma vez que caracterizam as suas ações em manter contato com um público fiel e executar as suas reivindicações. E a bola da vez é lutar contra a corrupção.

Nada mais idílico para esconder sob a socapa do maniqueísmo sentimentos de jactância.

Pois é esta vaidade que está levando o país ao naufrágio.


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