Moro age como líder de torcida

Moro age como líder de torcida

Moro age como líder de torcida – Foto: Wilson Dias/ABr

Está muito claro agora que o juiz Sérgio Moro é parte – e não apenas julgador – na ação penal contra o ex-presidente Lula.

O juiz Sérgio Moro foi às redes sociais pedir aos apoiadores da Lava Jato para não irem à Curitiba. Comportou-se mais uma vez como líder de torcida, ainda que tenha exposto razões plausíveis para tal pedido.

Moro, assim como descrito nas capas das revistas semanais, onde aparece duelando com Lula, deixou de ser juiz. Ele se tornou o acusador, uma parte no processo judicial.

Em outras palavras, o discurso do juiz, divulgado ontem (7) no Facebook, é a tentativa tardia de retirar o fato do depoimento de Lula do campo político e levá-lo ao campo da justiça. É preciso reafirmar que isso é uma tentativa tardia porque a Lava Jato politizou a ação contra Lula.

Sempre esteve claro que a última empreitada da Lava Jato seria prender o Lula e evitar a sua volta em 2018. Centenas de investigações, fases, espetáculos, midiatismo, a Lava Jato chega ao seu intuito final.

Entretanto, sem a mesma força e apoio de antes.

Por isso o Moro pediu aos apoiadores – que já não são unanimidade – para não irem à Curitiba. É mais uma forma de mostrar a operação como ela não é: imparcial, apolítica e partidária.

Na próxima quarta-feira (10), porém, a contenda não é entre Lula e Moro; o duelo que se travará em Curitiba foge das restrições da justiça; o embate principal é entre Lula e a Globo, a democracia e o golpe, a esquerda e a direita reacionária recém-saída das catacumbas de 1964.

Moro, como personificação destes estilos, pode até organizar a torcida do jeito que quiser. Só não pode fugir do script. A ele este poder não foi concedido.

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