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Blog do Mailson Ramos

Mexeu Com Uma mexeu Com Todas. Quando convém!

Mexeu Com Uma mexeu Com Todas. Quando convém!
Mexeu Com Uma mexeu Com Todas. Quando convém!
A TV Globo organizou campanha contra o machismo. Parece, entretanto, se esquecer do protótipo de mulher que cria dia após dia em suas produções.

A TV Globo foi artífice das manifestações favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff. Como responsável pela conclamação dos manifestantes às ruas – com chamadas frequentes e até suspensão da programação pra transmitir eventos ao vivo – a Globo teve total responsabilidade pelos discursos de ódio promovidos por aqueles que atendiam ao seu chamado.

Mulher, mãe, avó, senhora, presidenta da República, Dilma foi acossada, vilipendiada, agredida com os mais baixos palavrões. Teve a sua imagem usada em campanhas misóginas nas redes sociais. Em certo momento, a sua vida particular e de toda a sua família foi parar nas revistas semanais que deram publicidade a assuntos privados envolvendo a então presidenta da República.

No Congresso Nacional, deputados e senadores trataram Dilma da forma mais execrável que se possa imaginar. Não estava em voga a ideologia, o partido a que ela pertencia ou a sua posição político-econômica. Dilma foi achincalhada porque é mulher. Isso bastava para que todas as suas decisões estivessem equivocadas, que tivesse enganada o tempo todo, que não tivesse dotes políticos.

Mas bastou surgir um fato de machismo, assédio e misoginia no seio da TV Globo para o discurso de proteção à mulher vir à tona. De repente, ergueu-se o mote ‘Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas’ e um grupo de atrizes empreitaram uma campanha contra o machismo. Não há nada de errado nisso. A iniciativa é louvável, uma vez que este pensamento misógino parece latente no seio da sociedade – e inclusive no cast da própria TV Globo. O questionamento aqui é sobre os dois pesos e as duas medidas. Se este discurso de proteção vale para todas as mulheres, por que não valeu para Dilma?

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No país que permite as mais vis atrocidades contra as mulheres, existe uma emissora de televisão que cria e recria estereótipos, amplifica o preconceito, dilata o abismo existente entre homens e mulheres, constrói a imagem da mulher brasileira sempre vinculada ao erotismo – quando não às premissas daquelas que são belas, recatadas, do lar e silenciosas. É no seio da TV Globo que se cria diariamente um protótipo de mulher submissa ou representada muitas vezes uma referência de erotismo.

O machismo amplificado e repercutido pela mídia conservadora deste país parece ser combatido ao máximo quando quem está em foco é uma funcionária da TV Globo. De novo replico que a ideia é louvável e não há nada de errado nisso. O erro está na maneira como a imprensa se comporta com um caso e como deixa de comportar no outro por convenções e interesses sempre escusos. Ou não tão escusos porque tudo parece escancarado.

Recentemente, Marcelo Madureira, ex-integrante do Caceta & Planeta, chamou Dilma de “ladrona”. É este tipo de gente que vai se engajar àquelas campanhas da Globo por um mundo melhor, por igualdade para as mulheres, pela luta contra o machismo. São lutas perdidas porque o interesse ali é mais proteger a imagem da emissora e mostrar que existe engajamento. Quando convém.

Bolsonaro aproveitou para expor aquilo que ele tem de mais clássico: a misoginia. E mesmo ai falar de família, ele extrapola: “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.


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