Greve Geral não precisou da mídia parcial

Greve Geral não precisou da mídia parcial

Greve Geral não precisou da mídia parcial – Foto: Cesar Itiberê/ FotosPublicas

Para atender aos anseios da elite do país, a TV Globo engrossou e transmitiu manifestações contra Dilma; para Greve Geral só o silêncio.

 Até bem pouco tempo, sair às ruas para manifestar descontentamento contra o governo de Dilma Rousseff era motivo de orgulho para alguns setores da sociedade. Engendrou-se naquele período um nacionalismo exacerbado, capaz de fazer inveja ao mais orgulhoso dos patriotas brasileiros.

No auge de tal sanha, os grupos que pediam a destituição da presidenta da República não apresentavam evidências claras das suas reivindicações. Agiam por instinto e intermédio de grupos políticos e ideológicos organizados para assumir o poder.

Estava em jogo a tomada do Palácio do Planalto e não a discussão dos erros cometidos pelo governo. Com a promessa de reformas e melhoria da economia, Michel Temer assumiu. Organizou um governo recheado de políticos envolvidos na Lava Jato; ele próprio foi citado por delatores, desacreditado pela opinião pública, transformado em objeto de impopularidade à revelia da mídia e dos grupos que o protegem.

E levantou a bandeira de reformador. Para destruir as conquistas do trabalhador brasileiro ele fez emergir do passado o PL da terceirização, a reforma trabalhista, os acordos que sepultam a CLT; aos aposentados apresentou a reforma da Previdência, um projeto genocida que levará mais pessoas ao cemitério do que à aposentadoria. O governo que sucede a era petista é um fracasso.

E os brasileiros resolvem ir às ruas, paralisando as funções, estabelecendo a tão alardeada Greve Geral. Os trabalhadores, de modo geral, aderiram ao movimento e pararam o país durante 24 horas. O fato girou o mundo. Jornais europeus destacavam a luta do trabalhador brasileiro para barrar uma reforma que parece ser favas contadas num Congresso Nacional dominado pelos governistas.

A mídia brasileira tratou a greve com distanciamento, quase a repeli-la. A TV Globo, que conclamou manifestantes às ruas durante os manifestos contra Dilma, silenciou. Na quinta-feira (27/04), às vésperas da mobilização nacional, nem uma nota no Jornal Nacional. É isso o que eles chamam de imparcialidade e compromisso com a notícia.

O fato é que a Greve Geral não interessava aos setores hegemônicos da sociedade. As reformas sim. Porque é necessário para esta gente explorar o povo pobre do país na sua ânsia de morte. Explorar até mesmo aqueles que trabalharam a vida inteira e vão esperar mais alguns anos para se aposentar.

Esta gente não suportou durante muito tempo a ascensão do pobre. Pesquise no Google quantos programas foram extintos ou enfraquecidos por Michel Temer desde a sua posse e entenda o que estava por trás do golpe. A supressão de direitos é apocalíptica.

E o povo não deve se manifestar. Afinal de contas, como disse João Doria, o prefeito de São Paulo, sexta-feira é dia de trabalhar. Manifestação deve acontecer dia de domingo, com cobertura total da TV Globo, todo mundo vestido com a camisa da seleção, desfiles pelos corredores mais nobres das capitais, uma manifestação gourmet.

Só mesmo um país com desigualdades gritantes permite distinção entre manifestações populares. Os policiais militares que acercavam e defendiam os manifestantes favoráveis ao impeachment de Dilma são os mesmos capazes de quebrar um cassetete na cabeça de um estudante contrário às reformas de Michel Temer.

Mateus Ferreira, 33, foi atingido em Goiânia por um policial militar e o seu estado de saúde é considerado grave. O estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG) é mais uma vítima da sanha do braço autoritário do Estado contra o movimento popular. Querem de novo encabrestar o povo para arrancar-lhe as últimas forças.

Por isso a luta não para.

1 Comentário

Deixe um Comentário!