Doria, um prefeito caloteiro

Doria, um prefeito caloteiro

Doria, um prefeito caloteiro

O prefeito de São Paulo eleito em segundo lugar – perdeu para brancos, nulos e abstenções – é sonegador de impostos.

Por Douglas Izzo:

Doria, o caloteiro do IPTU, foi eleito mesmo devendo 15 anos de impostos para a cidade

O atual prefeito de São Paulo João Doria, ou o ‘João do IPTU’, foi eleito prefeito de uma das cidades mais importantes do país devendo ele próprio, pessoa física e jurídica, nada menos do que R$ 90 mil aos cofres públicos que hoje ele administra. Conclui-se que, na verdade, ele não sabe administrar nem o próprio orçamento familiar.

Bastou um telefonema da imprensa para o prefeito sair correndo e pagar uma dívida acumulada de 15 anos da sua mansão nos Jardins. Doria diz que doa o salário de R$ 20 mil porque não precisa – afinal é herdeiro de uma família tradicional de senhores de engenho, os Costa Doria -, mas devia R$ 90 mil. Faz política e marketing com o salário, mas não paga o que deve à própria Prefeitura. O processo, que se arrastava desde 2002, teve o desfecho contra Doria em 2013. E, não sejamos inocentes, ele só pagou agora para não ficar feio.

O prefeito de São Paulo eleito em segundo lugar – perdeu para brancos, nulos e abstenções – é sonegador de impostos. O suposto guardião da municipalidade, o exemplo de gestor, usou durante 15 anos dos serviços públicos sem pagar. Um verdadeiro escândalo. Com R$ 90 mil, certamente, seria possível comprar um bom estoque de medicamentos que hoje falta na rede pública de saúde. Ora, o que são R$ 90 mil para o empresário-milionário Doria?

Imagina o que aconteceria com você, trabalhador de verdade, se resolvesse parar de pagar o IPTU amanhã ou se não tivesse condições para quitá-lo? Pois o ‘João do IPTU’ decidiu dar o calote na Prefeitura. Agora, depois de eleito, não tinha outra saída. Teve que pagar antes de ser questionado por alguém na rua e protagonizar cenas de histeria, como tem se tornado rotina toda vez que se sente contrariado ou questionado.

Essa é a chamada “cara nova” da política à qual, segundo os jornais da última quinta-feira (30), setores do PSDB já começam a sinalizar apoio, contrariando até mesmo a candidatura do seu padrinho político Geraldo Alckmin (PSDB).

A “grande revelação da política brasileira” não conseguiu ainda fazer muito mais do que marketing, perseguir grafiteiros e pichadores e aumentar a velocidade das marginais, que já vêm registrando aumento no número de acidentes com mortes. Com menos de três meses à frente da Prefeitura de São Paulo, já é considerado presidenciável. Seria engraçado se não fosse trágico.

E isso porque ainda não chegamos ao momento mais terrível de sua gestão. Em breve descobriremos o tamanho da privatização que o ‘João do IPTU’ conseguirá emplacar. No dia 16 de maio, segundo informação do jornal GGN, Doria participará de um evento da Câmara do Comércio Brasil-EUA, nos Estados Unidos, para apresentar o seu programa de privatizações na cidade.

O mais escandaloso na notícia é que Doria se apresenta para o evento como prefeito de São Paulo e como fundador do Grupo LIDE. Ele mistura política com negócios de uma maneira irresponsável. Definitivamente ele não apenas desconhece a gestão pública como despreza os conceitos e as regras de atuação e transparência que regem a administração pública. Parece engraçadinho para alguns, mas essa confusão entre público e privado faz com que Doria se revele um gestor irresponsável e um político do passado.

Mesmo sabendo de todas as contradições, os golpistas se apoiam em uma eventual candidatura Doria porque parece ser o que restou de alternativa marqueteira. Não nos deixa outra saída senão começar a mostrar definitivamente para a população de São Paulo, sobretudo da periferia, quem é Doria, o ‘João do IPTU’.

Doria vai se defender dizendo que pagou o que devia. Deveríamos nos perguntar, pelo menos, se um sujeito desse, que ‘esquece’ uma dívida com a cidade por 15 anos, é de fato um bom gestor ou, no velho e bom português, um político picareta.

Douglas Izzo é dirigente da CUT-SP.

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