O coronelismo na imagem de Emílio Odebrecht

O coronelismo na imagem de Emílio Odebrecht

O coronelismo na imagem de Emílio Odebrecht

Emílio Odebrecht aparece não apenas como um patriarca, um grande empresário; ele reconfigurou a representação de um coronel.

No sertão, o coronel era geralmente um senhor de terras, que exercia influência sobre a comunidade, sobre outras autoridades e cujo perfil político era o de “encabrestar” os eleitores de acordo com favores a eles prestados.

Para explorar as necessidades do povo, estes coronéis o subjugavam. Somente assim poderiam exercer perenemente a influência sobre a gente que se arrastava sob o seu jugo opressor.

Dadas as diferentes configurações das relações, Emílio Odebrecht é um coronel.

Um coronel dos tempos modernos, do sistema de propinas, do entrelaçamento de dados favoráveis ao crime. Um coronel que industrializou e institucionalizou a corrupção na política.

Durante longos anos – e atravessando diferentes governos – ele se comportou como o presidente da República. E mais do que isso: propiciou vitórias, apoiou candidatos adversários, derrotou quando quis.

Do alto de sua expertise como coronel, deu uma verdadeira aula de como corromper.

Como o espetáculo midiático faz escola neste país, a vergonha parece sempre estar atrelada ao corrupto, nunca ao corruptor.  São faces da mesma moeda.

Na escola de Emílio, Marcelo tira sempre a nota dez.

Impressiona também o fato de que a imprensa esteja estarrecida; logo ela, que sempre esteve ao lado dos mais poderosos e observa como ninguém mais as suas intrínsecas práticas.

Como bom adepto do coronelismo, Odebrecht não reconheceu os poderes. Utilizou da força do seu dinheiro para estabelecer influências e fazer soçobrar a barcaça da lei, esta que já não resiste a qualquer borbotão.

Aquele Brasil arcaico ainda vive em pessoas como Emílio. Ainda reina nestas pessoas um país onde o dinheiro e o poder estão acima de qualquer outra conquista.

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