17 de abril: O dia nacional da falta de vergonha

17 de abril: O dia nacional da falta de vergonha

17 de abril: O dia nacional da falta de vergonha

17 de abril de 2016. Foi um espetáculo horrendo. Um destes episódios grotescos que mancharam profundamente a nossa história.

O Brasil precisa sempre recordar de momentos dolorosos, com força, para deles jamais se esquecer. Parte desta responsabilidade está sobre quem viveu o momento, quem viu diante dos seus olhos a história passar. E o tempo mostrou ao Brasil, através dos meandros da conspiração política, que a história poderia se repetir.

Dilma Rousseff foi julgada por chacais, por hienas que assumiram a casa de Ulysses Guimarães. Em troca de livrar-se de ação no Conselho de Ética, Eduardo Cunha chantageou a própria presidenta da República: caso os deputados do PT votassem no arquivamento do processo, ele também arquivaria todos os processos impeachment enviados à Câmara. Dilma não aceitou. Liberou toda a bancada para votar conforme a sua orientação.

A prova de que este fato realmente aconteceu foi dada no último sábado (15) por Michel Temer, em entrevista à Band. Temer afirmou que o processo de impeachment só foi autorizado porque Dilma liberou os deputados a votar contra Cunha. Ou seja, o processo nasceu de uma chantagem explícita e não da discussão sobre o cometimento do crime de responsabilidade fiscal pela assinatura de decretos de créditos suplementares (pedaladas fiscais).

O processo de impeachment nasceu viciado.

E prosseguiu tortuoso até o seu ápice final, na Câmara, naquele fatídico terceiro domingo de abril. O espetáculo horrendo, transmitido em tempo real para o mundo, mostrou todas as debilidades de um parlamento repleto de corruptos. Homens e mulheres (minoria) transitavam numa atmosfera de conspiração; alguns caricatos e procurando por holofotes o tempo inteiro acenavam a consonância com as comparações de um picadeiro.

Palhaço mesmo era o povo, separado por um muro, radicalizado por ideologias da elite que só queria o seu quinhão; o povo buscava um embate, pois embebido com metódicas doses de ódio inoculado por uma mídia irresponsável e venosa.  Fazia parte de um espetáculo horrendo em que os interesses hegemônicos superavam as reais necessidades de mudança da sociedade. Aquele era o fim de um ciclo fundamental para o Brasil e o começo de uma era trevosa de supressão de direitos.

Tudo o que acontece hoje é resultado daquele processo de impeachment viciado.

A democracia foi esquartejada; a Constituição Federal foi rasgada, queimada e atirada em qualquer cinzeiro onde também repousam as cinzas dos charutos importados, fumados por suas excelências. Aos poucos – e sem o alardeado zelo nacionalista de outrora – o Brasil se tornou a república da suruba. Os interesses coletivos foram submetidos aos interesses do capital, do neoliberalismo frenético, dos oligopólios midiáticos.

17 de abril deve ser marcado como o dia nacional da falta de vergonha. Um dia em que o brasileiro possa refletir quem são os facínoras que ele elege para a Câmara dos Deputados.

1 Comentário

  • Mas deixamos hoje uma rosa vermelha no mastro da bandeira do Brasil no palácio da Alvorada, a lembrar a Presidenta, que foi proibida de comprar rosas para enfeitar sua casa pelo charlatão que agora diz que não teve culpa do impeachment.

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