Águas de março: o fim da farsa do impeachment e um novo recomeçam para o Brasil

Michel Temer

Michel Temer, aquele que está sendo levado pela água s de março

As águas de março trazem o fim da farsa do impeachment e um novo recomeço para o Brasil. Leia o novo artigo de Paulo Pimenta em Nossa política.

Na Roma antiga, na Rússia e na Grã-Bretanha, até os séculos XV e XVI, e em diversas culturas, o ano novo começava em março, com o início da primavera. O início do ano novo também se traduzia no momento de planejamento e mudanças.

No Brasil, a música de Tom Jobim, imortalizada na voz de Elis Regina, consagrou a março como tradição da renovação: “São as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração”.

No Nordeste, o dia 19 de março, dia de São José, o santo padroeiro do Ceará, é a data limite para a chegada da chuva, para saber se o ano terá prosperidade. Essa data se tornou uma tradição para o povo nordestino, para os agricultores, para receber a dádiva da colheita, do alimento e da vida.

Em 2017, o inicio do março em nosso país é marcado pela intensa crise política do pós-golpe. O governo ilegítimo de Michel Temer chega a sua fase mais crítica com a avalanche de delações envolvendo o governo e seus aliados. Neste mês se tornarão públicas as 77 delações da Odebrecht que atingirão o núcleo central do Palácio do Planalto, inclusive o próprio Temer.

Os desdobramentos da confissão de José Yunes, amigo íntimo de Michel Temer, ganharam novos contornos com a revelação da sua ligação com uma rede de offshores no Panamá e em outros paraísos fiscais, que movimentou milhões de dólares de origem suspeita e que possui grandes investimentos no Brasil, com a participação do próprio Temer.

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Aliado a esses desdobramentos, avança no Tribunal Superior Eleitoral o processo de julgamento das contas das eleições de 2014 que deverá condenar Michel Temer. Portanto, a chegada de março é também a corrida contra o tempo para um governo que se conjuminou para “estancar a sangria”, que está chegando ao desespero com o aliado Eduardo Cunha na cadeia, mandando sinais de que sem retirá-lo da prisão os golpistas não terão sossego e a estrutura do golpe irá ruir.

O carnaval de 2017, em meio a essa intensa crise, não se desconectou da realidade de um país que foi diminuído em termos de democracia, de soberania, de direitos sociais e que convive com terríveis retrocessos. Foi o carnaval do “Fora Temer”. A própria imprensa golpista não teve como esconder. E como esse é um jornalismo às avessas, que não trabalha de forma honesta com as diferentes posições políticas e ideológicas, pressupõe-se aí uma leitura dos fatos desse conturbado mês de março para a confraria golpista.

Mais uma vez é o março com promessa de vida! O Brasil não aguenta mais a farsa do impeachment, os desmandos da operação que deveria combater a corrupção, mas se tornou instrumento para a perseguição da esquerda no país. Como a esperança do povo do Nordeste, este março, a vida precisa brotar, a fome é um tempo que o Brasil quer deixar para trás. As marchinhas do carnaval deram o tom da politização que precisa jorrar.

Que nos inspire o 8 de março, dia internacional das mulheres, de mobilização e luta por igualdade de direitos. No Brasil, as mulheres protestam contra a retirada de direitos que se impõe com as políticas neoliberais implementadas por “Michel Fora Temer” e denunciam a violência de gênero que cresce com a cultura de ódio que se manifesta como uma das expressões violentas desse golpe, que é classista, racista e misógino.

As águas de março são promessa de vida! A mobilização chamada para o dia 15 de março vai unificar diversos movimentos sociais que se organizam na resistência ao golpe, conclamando: “nenhum direito a menos e contra as reformas trabalhista e previdenciária”.

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