A São Paulo de Doria segue os ditames da Classe Média

A São Paulo de Doria segue os ditames da Classe Média

A São Paulo de Doria segue os ditames da Classe Média – Foto: Reprodução

A ideia de que a cidade é de todos foi transformada, na mente de boa parte da classe média, na ideia de que a cidade deveria funcionar para mim.

Só é possível entender as medidas de João Dória se compreendermos os valores e as demandas de boa parte da classe média paulistana. Medidas como apagar os grafites, criminalizar os pichadores, retirar os cobertores dos moradores de rua e até aumentar a velocidade das marginais (colocando ambulâncias para socorrer os feridos) estão todas ligadas por uma mesma lógica: o individualismo conservador. Individualismo por que parte do princípio de que a cidade deve ser boa/funcional para mim, não para o conjunto diversificado de pessoas que nela habitam. Parte-se do princípio da não convivência com o diferente, do não compartilhamento dos espaços, da absoluta privatização da vida social.

Conservador por que recusa a mudança, o novo, em particular as transformações que afetam os espaços “privatizados”, mesmo que esses espaços sejam públicos. O paulistano médio apreende a cidade, o espaço público, pela lógica privada: a ideia de que a cidade é de todos foi transformada, na mente de boa parte da classe média, na ideia de que a cidade deveria funcionar para mim, segundo meus interesses e valores.

Sob este prisma, qualquer força disruptiva, que não faça da cidade minha imagem e semelhança, deve ser combatida, eliminada ou simplesmente afastada: pichadores, grafiteiros, ônibus, periféricos, mendigos… Todos elementos disruptivos da “minha” cidade. Não quero mendigo na “minha” calçada, não quero corredor de ônibus (ou ciclovia) na “minha” avenida, não quero grafite ou pichação na “minha” praça.

Em uma cidade caótica como São Paulo, existe uma demanda imensa por “ordem”, que só é possível de ser alcançada de fato se respeitando as diferenças, valorizando-se o público e compartilhando os espaços. Mas a convivência com a complexidade e diversidade provoca reações autoritárias e higienistas, mesmo que puramente simbólicas. É evidente que o “cidade linda” não vai “limpar” a cidade. É evidente que o aumento de velocidade das marginais não vai melhorar o trânsito. É evidente que retirar cobertores de moradores de rua não vai resolver o problema social que a pobreza criou. Ao contrário, provavelmente tais medidas deixarão a cidade mais feia, o transito mais congestionado e agravem o conflito social. Mas essas medidas puramente estéticas, praticadas por um gestor especialista em marketing fantasiado de trabalhador braçal, toca fundo na alma do paulistano médio.

Doria apenas compartilha e explora essa visão de cidade de boa parte dos paulistanos, se valendo das ferramentas de marketing que conhece tão bem para difundir “soluções” que, mesmo sabendo ser ineficazes, atendem aos desejos e demandas de seus eleitores cativos. Neste sentido, Doria é o oposto de Haddad: Enquanto Haddad fazia o que achava “certo”, mesmo que fosse impopular; Doria faz o que é “popular”, mesmo que não seja certo.

Guilherme Santos Mello é professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON-UNICAMP).

3 Comentários

  • Eu concordo com o JOÃO DORIANA, quando propõe, o aumento da velocidade nas marginais, ELE VAI FICAR PARADO NAS MESMAS, para ser ATROPELADO, por carros em alta velocidade, se não MORRER, é porque sua PROPOSTA É VIAVEL. Ou COISA RUIM NÃO MORRE.

  • FICO INDIGNADA COM OS PAULISTANOS……BASTA TER DINHEIRO E STATUS PARA ELES O CARA É BOM…CORRESPONDE BEM À SOBERBA DESTA GENTE, ADORAM FALSIDADES, ADORAM POSIÇÃO SOCIAL, ADORAM EXIBIÇÃO , ADORAM SE SENTIREM SUPERIOR, ,,,ASSIM ELE TEM O PREFEITO QUE MERECEM..PARABÉNS COXINHAS VAZIOS

  • Como é triste ver como nosso país é atrasado intelectualmente, o pior é não apenas a classe estudantil , conforme exames de avaliação verificou , mas também profissionais como professores que deveria nos passar conhecimento, ao invés disso se mostra totalmente partidário e sem nenhuma condição de fazer avaliações sobre tema como o atual prefeito de São Paulo.

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