O ódio político foi quem matou em Campinas

O ódio político foi quem matou em Campinas

Wanderlei Silva aguarda Bolsonaro em Curitiba – Foto: Reprodução

A carta do assassino de Campinas deixa bem claro que produto o ódio político originou: um homem disposto a matar por não aceitar os direitos humanos, as vadias, a política. Tudo o que a Lava Jato e a mídia pregaram ao longo de dois anos.

Em novembro de 2015, aqui, n3ste mesmo espaço, escrevi o artigo Ódio político: isso não vai acabar bem. Relatava ali as circunstâncias de ódio reveladas na apreensão de armas brancas e tacapes no acampamento dos direitistas, em frente ao Congresso Nacional.

Naquela ocasião, eles entraram em conflito com a Marcha das Mulheres Negras. Porque não aceitam o feminismo, a política, os direitos humanos, a Dilma, a referência a uma minoria da sociedade.

Isso nos faz lembrar a tragédia em Campinas onde um homem pôs fim à vida de 12 pessoas, incluindo a do filho e da ex-mulher, além de se matar no fim da macabra empreitada. E deixou uma carta onde revela mais ódio político antes do que qualquer outro tipo de ódio.

O assassino se diz contra as vadias, o feminismo, rechaça a política, degenera a Lei Maria da Penha, escracha Dilma e Lewandowski. É o típico sujeito resultado do processo político e midiático que se originou da inenarrável “luta contra a corrupção”, da República de Curitiba.

No artigo supracitado, escrevi:

A substância do ódio político é a intolerância às concepções alheias. Não se aceita em nenhuma hipótese que o outro defenda o que parece indefensável.

Opiniões são contestadas sem argumento plausível, numa truculência pormenorizada pela mais sólida das ojerizas: a de classe.

No afã insano de contestar aquilo que lhe parece repulsivo, o sujeito transita entre linhas de ação e raciocínio que beiram a selvageria.

Não são homens livres de pensamento, não são resultados da evolução dos tempos, não estão em conformidade com a era em que vivem: o homem que é conduzido e conduz ódio político dentro de si é fac-símile das feras mais bestiais.

Ademais, se houvesse discussão sadia sobre a política brasileira, o cenário seria outro.

A ideia de que os cidadãos adentraram na guerra partidária para dela sair somente depois de ver sangue jorrar adquire cores vivas no noticiário.

É chegado o tempo em que este perfil político reacionário criado pelos golpistas e abastecido pela Lava Jato e pela mídia vai determinar o acirramento das forças como jamais houve neste país.

Machista, homofóbico, contrário aos Direitos Humanos, apolítico e determinado a reagir contra o que considera “normal”: um caráter fascista indisfarçável. E esta mente não se criou sozinha sem a maré, a enxurrada de pregações conservadoras.

Talvez agora seja tarde demais para a mídia perceber a serpente que chocou.

Deixe um Comentário!