Mário Juruna, o índio Xavante que não se corrompeu

Mário Juruna, o índio Xavante que não se corrompeu

Mário Juruna, o índio Xavante que não se corrompeu – Foto: Reprodução

Juruna foi o primeiro índio a assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados; e reagiu com coragem ao ser subornado para votar em Maluf, candidato dos militares à presidência.

No dia 3 de setembro de 1943 nascia na aldeia indígena Xavante Namurunjá, na reserva indígena de São Marcos, em Barra dos Garças, no Mato Grosso, Mário Juruna, o primeiro Deputado Federal brasileiro pertencente a uma tribo indígena.

Filho do chefe da aldeia, o cacique Apoenã, Mário Juruna viveu em sua aldeia, sem contato com a civilização branca até os seus 17 anos, quando então sucedeu seu pai como líder da aldeia. O cacique Juruna, se tornou notório na década de 70 por percorrer os gabinetes da FUNAI em Brasília, na luta pela demarcação de terras para os índios Xavantes, portando um gravador em suas mãos, que segundo ele mesmo afirmava, servia “para registrar tudo o que o branco dizia”, e comprovar que as autoridades, na sua maioria das vezes, não cumpriam a palavra.

Em 1980, ele quebrou o veto contra sua saída  do país e viajou para Rotterdam na Holanda, para presidir o 4º Tribunal Bertrand Russel dos Direitos Humanos. Juruna organizou também, o 1º Encontro de Lideranças dos Povos Indígenas do Brasil, que em sua primeira edição reuniu 644 caciques de diversas tribos indígenas brasileiras.

Em 1982 ele foi eleito deputado federal pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), de Leonel Brizola, representando o estado do Rio; sua eleição repercutiu não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. O cacique Juruna é o responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio no Congresso Nacional, que transformou em pauta de reconhecimento forma os problemas indígenas.

Em 1984, ele denunciou o empresário Calim Eid por tentar suborná-lo, para que ele votasse em Paulo Maluf, candidato à Presidência da República dos militares na época; no entanto, o cacique votou em Tancredo Neves, que pertencia à oposição democrática. Reagindo à tentativa de suborno, Juruna devolveu publicamente os 30 milhões de cruzeiros recebido de Calim Eid. (Veja a foto abaixo).

Mário Juruna, o índio Xavante que não se corrompeu

Seu mandato durou de 1982 a 1986, e embora ele não tenha conseguido se reeleger em 1986, continuou ativo na política durante vários anos.

“Eu disse aos Xavantes: Muito cuidado com o branco, com a FUNAI. Não se vendam e não se entreguem. O salário não é importante, a vida é muito importante. Briga interna é o que o homem branco e a FUNAI querem”.

“Eu nasci para morrer, eu nasci para brigar. Não nasci para ser expulso. Por que estou dentro do Brasil que é do índio… Eu nasci para isso”.

Juruna tentou novamente reeleição em 1990 e depois em 1994, porém, sem sucesso, e passou a viver, em Guará, cidade satélite de Brasília, abandonado por sua tribo, pelos homens brancos, após o término de seu mandato, e acabou vivendo na miséria, até falecer em 2002, aos 59 anos, em decorrência de complicações da diabetes. Seu corpo foi enterrado em sua aldeia no Mato Grosso, ele deixou 11 filhos, e segundo sua filha Samantha, “uma aldeia de netos”.

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