Blog do Mailson Ramos

A Lava Jato é o maior vetor da crise

A Lava Jato é o maior vetor da crise

A Lava Jato é o maior vetor da crise – Foto: Reprodução/ Gazeta do Povo

Primeiro a negação aos acordos de leniência que poderiam salvar as empreiteiras; depois o processo que deu vida ao governo de desmontes de Temer.

A Lava Jato está no seio de toda a crise. Poderia ter sido um valoroso processo de depuração da administração pública, de combate à corrupção e de conscientização das relações entre poder público e privado. Não foi.

A Lava Jato cedeu ao estrelismo dos procuradores do Ministério Público; cedeu ao ódio dos delegados da Polícia Federal em relação ao PT, demonstrado largamente durante a eleição de 2014, quando muitos deles apoiaram abertamente o tucano Aécio Neves; e cedeu à seletividade com que são tratados os processos em Curitiba.

A Lava Jato se tornou o principal vetor da crise, quando, decidiu negar – através do MPF e do TCU – os acordos de leniência das empreiteiras com o governo. Os acordos firmados não impediriam que os donos das empresas envolvidos em corrupção fossem punidos, mas criariam ambiente para um novo relacionamento entre poder público (governos) e poder privado (empresas que participam de licitações). Não. A Lava Jato não permitiu.

A Lava Jato também não permitiu que a corrupção fosse combatida como numa caça às bruxas. Ou seja, todos os partidos envolvidos no esquema de corrupção deveriam pagar pelos seus erros. Não apenas o PT. Não apenas os petistas deveriam estar atrás das grades, não deveriam ser os únicos investigados e os únicos sob a qual pesa a pecha da corrupção. A morosidade com que julgam as citações de tucanos como José Serra e Aécio Neves é caso de polícia.

A operação sediada no Paraná contribuiu decisivamente para a mobilização de massas a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Com vazamentos sabidamente seletivos na mídia, a Lava Jato também foi decisiva ao divulgar os grampos telefônicos de conversas entre Lula e Dilma. Naquele ponto o Brasil esteve muito próximo de uma convulsão social incontrolável.

A queda de Dilma fez ascender ao poder o governo de Michel Temer, uma máquina de desmontar, avesso ao social e compenetrado na tarefa de desfazer tudo aquilo de importante que os governos petistas deixaram. A crise tem como vetor um conteúdo político que é a Lava Jato; ela tem sido utilizada ao sabor dos poderes hegemônicos para desestabilização do país, para definirem pautas no Congresso Nacional, para impor, por exemplo, o sucateamento da Odebrecht e do Programa Nuclear Brasileiro.

Não é preciso nem mencionar as constantes viagens de membros da investigação aos EUA. Enquanto o Brasil perece na crise, os “heróis nacionais” usufruem do brilho dos holofotes.

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