Blog do Mailson Ramos

A vitória da direita nas eleições é um engodo

A vitória da direita nas eleições é um engodoA vitória da direita nas eleições é um engodo

A vitória da direita nas eleições é um engodo – Foto: Reprodução

A crise de representatividade alveja especialmente os partidos de esquerda; mas ela é um processo contínuo de desconstrução da política. Amanhã ou depois chegará aos partidos de direita.

As vitórias de João Dória e Alexandre Kalil, em São Paulo e Belo Horizonte respectivamente, são um sintoma indubitável de que o sistema político brasileiro pereceu e o povo, desorientado, embarca em aventuras. Isso não significa que os dois prefeitos eleitos não possam ser bem sucedidos na empreitada.

O fato é que, tanto em São Paulo como em Belo Horizonte, o número de votos brancos e nulos superou o número de votos válidos de quem venceu. No país, 32,5% do eleitorado embarcou na onda do não voto. E sob a batuta da mídia, que não gosta da análise profunda dos fatos, o povo vai acreditando na balela de que a direita venceu e houve uma opção pela mudança.

Não há surpresa no fato de que os apoiadores do golpe contra Dilma – aqueles que se apossaram do poder sob o olhar complacente da mídia e do Judiciário – conseguiram destruir o PT. Não foi sobre o PSDB e o PMDB que pesaram as denúncias de corrupção. No jogo de troca sentido a mídia conseguiu transformar o PT em sinônimo de corrupção. Não o PSDB do Serra, o PMDB do Eduardo Cunha ou o DEM do Agripino Maia.

A crise de representatividade é um dos resultados da Lava Jato. Quando transformaram o Sérgio Moro em herói, todos os políticos pagaram penitência, até mesmo – ou, sobretudo – os mais honestos. A classe política foi reduzida a nada. A direita não estranha que os seus candidatos tenham vencido os adversários deixando para trás um resíduo de reprovação nos votos brancos e nulos.

O povo que abdicou de escolher um candidato será solenemente ignorado porque a sua manifestação em rechaçar o voto não significa nada; nada para quem vai administrar uma cidade sob a batuta de um governo federal capaz de aprovar um desastre como a PEC 241. A leitura que a mídia deveria fazer é esta. Mas, como o PSDB é o queridinho… Melhor silenciar ou festejar os louros da vitória sobre o PT, morto e sepultado.

Lula é um dos poucos políticos que chamam a atenção para o rechaço da representatividade. Para ele, não há revolução social sem a política, por isso é importante não renegá-la. Talvez por isso, esteja ele liderando as intenções de votos para 2018. A visão que ele tem da política é excepcional. E o jogo sempre privilegia os bons jogadores.

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