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Dom João VI faliu o Banco do Brasil em 1821

Dom João VI faliu o Banco do Brasil em 1821

Dom João VI faliu o Banco do Brasil em 1821 – Foto: Domingos Sequeira

Acompanhado de mais 3 mil apaniguados, o rei Dom João VI ‘limpou’ os cofres do Banco do Brasil e retornou à Corte Português em 1821.

Um escândalo que ficou na história e até hoje é lembrado por professores, historiadores e cientistas políticos diz respeito à falência do Banco do Brasil, em 1821, quando Dom João VI resolveu voltar a Portugal, juntamente com mais de 3 mil apaniguados “que praticamente eliminaram os saldos da instituição. O Banco do Brasil, segundo José Octávio, ficou sem dinheiro para operar. “Essa era uma prática dos lusitanos no Brasil, desde o descobrimento, em 1500”, afirmou.

O historiador lembra que, em 1816, os recursos da Capitania de Pernambuco, uma das mais prósperas do País foram transferidos para a Corte, no Rio de Janeiro, o que provocou a revolução pernambucana de 1817, conforme enxergou o historiador Amaro Quintans.

De acordo com José Octávio, o Segundo Reinado não registrou grandes escândalos porque o capitalismo era pouco desenvolvido por conta da escravidão e o imperador Dom Pedro II –nascido, criado e educado no Brasil- era muito cioso da condição de guardião do Tesouro Nacional. “Com o Barão de Mauá, um dos homens mais ricos da época, ocorreu o contrário. Seus negócios chegaram a fracassar porque a Inglaterra encolheu o crédito e o imperador não o apoiou.

Mas além de escândalos financeiros, o Brasil presenciou, no Império, a chaga da escravidão, um escândalo social de proporções internacionais, também verificado em outros países da América Latina, mas que aqui demorou mais tempo.

República começou com negociatas

Com o advento da República, em 1889, graças à fraqueza do já velho imperador Pedro II e à coragem do também velho, fraco e doente marechal Deodoro da Fonseca, os escândalos retornaram. De acordo com o levantamento feito por José Octávio, os empréstimos para cobrir empréstimos motivaram negociatas impensáveis. “As negociatas aumentaram com o chamado encilhamento como tentativa de industrializar o País carente de capitais”, disse José Octávio.

O encilhamento foi uma espécie de plano econômico lançado em 17 de janeiro de 1890 pelo ministro da Fazenda do Governo de Deodoro da Fonseca, Ruy Barbosa, que autorizava a emissão de títulos da dívida pública para atender necessidades desenvolvimentistas da economia brasileira. O termo encilhamento surgiu da alusão feita pelos moradores da Capital da República, Rio de janeiro, ao hipódromo (lugar destinado aos cavalos).

O encilhamento permitiu a abertura de três bancos na Bahia, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Os três foram autorizados a emitir os títulos. Na Capital, o ministro mandou criar o Banco dos Estados Unidos do Brasil, com a finalidade de controlar a emissão dos títulos e conduzir a política econômica, cujo objetivo principal era expandir o crédito e estimular a criação de novas empresas.

Mas o plano foi desastroso. Resultou em uma escalada inflacionária nunca vista e estimulou a especulação e o calote, em consequência do desvio de função do dinheiro pára todo tipo de negócios fictícios que enriqueceram muita gente. Ou seja: o empresário pegava o dinheiro fácil e embolsava, como ocorre ainda hoje, embora sem as mesmas consequências da época. A crise faliu o País (mais uma vez) provocando a queda do ministro Ruy Barbosa e do próprio presidente Deodoro da Fonseca.

“Com o encilhamento, as empresas fantasmas se multiplicaram e o presidente Deodoro foi acusado de se beneficiar da construção do Porto de Torres, no extremo Sul do País”, completou José Octávio. Segundo ele, com as oligarquias da República Velha, os escândalos aumentaram em todo o Brasil. Ele cita um caso que aconteceu na Paraíba e diz respeito à construção do Porto do Varadouro, no Centro da Capital.

Paraíba

O presidente Epitácio Pessoa mandou recursos para a construção do Porto do varadouro na Capital paraibana.  Mas o dinheiro foi desviado. “Chocado com a negociata, o presidente Epitácio jurou nunca mais colocar os pés na sua terra”, afirmou José Octávio, citando livro do ex-deputado José Joffily, intitulado “Porto Político”, sobre o assunto.

O historiador sustenta que a Revolução de 1930, que colocou Oswaldo Aranha no comando das finanças do Brasil, “encontrou a Fazenda Nacional muito abalada”. Segundo ele, os escândalos reapareceram com o Estado Novo (1937-1945) “ante os rendosos negócios da pecuária que favoreceram os fazendeiros sem rebanhos”.

De acordo com a pesquisa de feita por José Octávio, “no Nordeste a mesma boiada fazia as delícias dos falsos proprietários, que, mostrando-a, se habilitaram aos rendosos empréstimos do Banco do Brasil”.

José Octávio disse que uma pesquisa feita pelo jornalista William Waack revela que a organização da Força Expedicionária Brasileira (FEB), em luta na Itália, na Segunda Guerra, gerou grosseiras apropriações. “Enquanto os pracinhas combatiam na Itália, oficiais inescrupulosos faziam a farra. Os americanos, sob cujas ordens operávamos ficaram abalados como, para um contingente de 1.200 pracinhas, contabilizavam, por turno, 6 mil refeições”, disse o historiador paraibano.

No Governo de Eurico Gaspar Dutra, conforme José Octávio, “ficaram célebres as partidas de trigo e de outras mercadorias transacionadas por capitalistas e militares sequiosos de ganho fácil e um deles era o próprio presidente da República”.

Extraído de EstadoPB.com


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