Salvador Allende: o sonho ainda vive

Salvador Allende: o sonho ainda vive

Salvador Allende: o sonho ainda vive – Foto: NP

Salvador Allende não é apenas um ícone socialista para o Chile. A América o reverencia por seus ideais de justiça social e liberdade.

Salvador Guillermo Allende Gossens nasceu em Valparaíso, cidade litorânea do Chile, no dia 26 de junho de 1908. Sua vida política teve início em 1926, quando entrou na Escola de Medicina da Universidade do Chile. Allende se tornou presidente do Centro Acadêmico, vice-presidente da Federação de Estudantes e membro do Conselho Universitário da instituição.

À época, ele participou ativamente das manifestações contra o governo ditatorial de Carlos Ibáñez. À noite, Allende dava aulas na escola de capacitação de trabalhadores. Por causa das suas atividades políticas, ele chegou a ser suspenso dos estudos em 1931. Apesar disso, ele conseguiu concluir os estudos em 1933. O trabalho de conclusão de curso de Allende era intitulado “Higiene Mental e Delinquência”.

Em 19 de abril daquele ano, Allende participou da fundação do Partido Socialista do Chile e  foi designado secretário da Regional Valparaíso do PS. Quatro anos depois, ele foi eleito deputado por Valparaíso e Quillota. Estabelece uma forte relação com os trabalhadores e é designado Subsecretário-Geral do Partido Socialista.

Por determinação do Partido, em 1939, Allende acabou renunciando ao Parlamento para assumir como Ministro da Saúde, Previdência e Assistência Social do Chile. Com 30 anos, ele se tornou o secretário de estado mais jovem da história do país. Allende ganhou a alcunha de “ministro dos pobres”.

No mesmo ano, ele conheceu Hortensia Bussi. O primeiro encontro aconteceu em Santiago, enquanto escapavam do Terremoto de Chillán (que matou 30 mil pessoas na época). Em 16 de setembro de 1940, Allende e Hortesia se casaram.

Em 1941, nasceu a primeira filha do casal, Carmen Paz. No ano seguinte, nasceu Beatriz e, três anos depois, Isabel. Em 1945, Allende é eleito senador por pelas províncias de Valdivia, Llanquihue, Chiloé, Aysén e Magallanes. Como parlamentar, ele promoveu uma série de leis sobre saúde pública, proteção à infância e segurança social.

Em 1952, Allende se candidatou pela primeira vez à presidência pela coligação Frente do Povo, braço do Partido Socialista. O PS havia se dividido em dois líderes: Raúl Ampuero, que apoiou a candidatura de Gral Ibañez e Salvador Allende. Apesar dos esforços, o general Ibáñez ganhou a presidência presidencial com uma vantagem arrebatadora: 450 mil votos, contra penas 52 mil de Allende.

Em 1953, Allende foi eleito novamente Senador por Tarapacá e Antofagasta. Em 1954, fez sua primeira visita à União Soviética e à República Popular da China, fazendo parte da comitiva como vice-presidente do Senado do país.

Em 1958, Allende se candidatou pela segunda vez à presidência do Chile. O Partido Socialista (PS) havia se reunificado e formou, junto com o Partido Comunista (PC) e outros setores da esquerda, a Frente de Ação Popular (FRAP).

Dessa vez, Allende conseguindo 354 mil, mas perdeu a eleição para o independente de direita, Jorge Alessandri, que obteve pouco mais de 368 mil votos. Em 1961, Allende foi novamente eleito Senador por Valparaíso e Aconcagua. Em 1969, foi eleito senador por Chiloé, Aysén e Magallanes.

Em 1964, Allende se candidatou pela terceira vez à presidência do Chile, concorrendo com Eduardo Frei, Julio Durán pelos Radicais e Jorge Prat. Para impedir a vitória de Allende, a direita inteira acabou apoiando Eduardo Frei, que venceu com larga vantagem. Em 1966, ele foi eleito presidente do Senado e participou da Conferência Tricontinental de Havana.

Em 1970, Salvador Allende se candidatou pela quarta vez, pela Unidade Popular (UP). A frente havia sido criada no ano anterior com a participação de socialistas, comunistas, radicais, social-democratas e com apoio do Partido Comunista, que abriu mão de seu candidato Pablo Neruda.

Os adversários de Allende eram Jorge Alessandri (pela direita) e Radomiro Tomic (pelo Partido Democrata Cristão). Em 4 de setembro daquele ano, Allende foi eleito com 1 milhão e 70 mil votos, com vantagem de 40 mil votos sobre. Alessandri. Em 3 de novembro de 1970, Allende assumiu a Presidência da República do Chile, cargo em que ficou até o golpe militar de 11 de setembro de 1973.

Devido a dúvidas sobre os últimos momentos de Allende, o governo chileno ordenou uma investigação. Em setembro de 2012, o juiz titular do caso, Mario Carroza, estabeleceu por testemunhas, perícias e dados da indagação que o presidente socialista se suicidou com um tiro de fuzil no rosto.

Durante a investigação, Carroza ordenou a exumação do cadáver de Allende e submeteu seus restos à análise de uma comissão internacional de especialistas.

Em sua decisão, o juiz estabeleceu que na terça-feira, dia 11 de setembro de 1973, “às 11h50 ocorreu o ataque aéreo e terrestre (contra o palácio presidencial de La Moneda). O Presidente, depois de ordenar o abandono do local, se retira (…) e se dirige ao ‘Salão Independência’, fechando a porta. Uma vez em seu interior, se senta em um sofá, coloca o fuzil que segurava entre suas pernas e, apoiando-se em seu queixo, o aciona, falecendo de forma instantânea alvo do disparo recebido”.

No dia 11 de setembro de 1973, quando Allende completava 1.000 dias no poder, as Forças Armadas chilenas – lideradas por Augusto Pinochet – se levantaram contra seu governo, bombardeando por ar e terra o palácio presidencial onde estava Allende, que resistia junto a um punhado de colaboradores.

O regime do general Augusto Pinochet, que foi instaurado neste mesmo dia – até 11 de março de 1990 – deixou mais de 3.200 mortos e desaparecidos.

Com informações da EBC e Folha de S.Paulo.

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