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Para que ministério da Cultura se temos a Globo?

Para que ministério da Cultura se temos a Globo?
Para que ministério da Cultura se temos a Globo? – Foto: Reprodução
Fernando Brito, de forma brilhante, expõe a sua opinião sobre o fim do ministério da Cultura. É mais uma iniciativa do governo golpista de Temer de retroceder sobre conquistas.

Do Tijolaço:


Pra que Ministério da Cultura se temos a Globo?

Para a burrice e a subserviência imperarem em um país, é necessário que a seu povo impeçam de produzir e disseminar Cultura.  E não só a sua, mas conhecer e digerir a que vem do mundo, como sempre foi muito antes da globalização, porque cultura é também absorver, processar e sintetizar, como o que é: um alimento.

Criado em 1985 – 26 anos depois do primeiro Ministério da Cultura do mundo, na França – o nosso MinC passou por vários governos, mas foi  no primeiro mandato do presidente Lula, sob a batuta de Gilberto Gil, que a cultura começou a ser vista pela importância de sua diversidade e pluralidade.

Esses últimos 14 anos mudaram a cena brasileira resgatando aspectos culturais que são a nossa referência como cidadãos brasileiros. O Brasil que não se conhecia começou a se enxergar nos palcos, nas salas de cinema, nos livros, na música.

Pois foi esse o Ministério desta Cultura onde a gente se vê e se transforma o primeiro assassínio político do Governo da Usurpação.

Por economia? Não, mesmo.

Para se ter uma ideia, do ponto de vista orçamentário, o Minc representa 0,5% do Orçamento Geral da União. São 2.500 funcionários trabalhando e pensando a cultura do país, que representa 1,5% do PIB.

E com capacidade de gerar muito mais, inclusive porque não há um lugar onde a cultura brasileira, em todas as artes, não encante o mundo.

É porque cultura é, para esta gente, mercadoria comum, destas que se compra e vende: quem pode, vai à Brodway, quem não pode vê na Globo; O que ela quiser, aliás: seja das coisas boas que produz, seja do lixo que despeja a viciar seus espectadores.

A extinção do Minc vai gerar, em efeito dominó, demissões e desestruturação da atividade cultural no país. Isso terá impacto direto na vida das pessoas do interior e das periferias. Pois o que acontecerá é a volta ao passado, quando atividades de qualidade ocorriam somente nos centros das grandes cidades.

O Sistema Nacional de Cultura corre risco de se desarticular e o Plano Nacional de Cultura será paralisado, não há o que esperar.

O programa Cultura Viva pode, na mais otimista das previsões,  sofrer cortes orçamentários, mas, na prática, acabará sendo deixado de lado. A extinção do programa é uma questão de tempo, pouco tempo, aliás.

O Vale Cultura, para ser operacionalizado, precisa de muitos funcionários e estrutura e já está sendo desmontada. Políticas de Promoção da Diversidade? Vai acabar tudo!

O IPHAN, que é um dos órgãos mais importantes do MinC, pois autoriza obras e tem poder de fiscalização e polícia, com o seu provável desmonte, servirá aos interesses da especulação imobiliária.

O caso mais emblemático será o Estelita. Poderão derrubar tudo e construir as torres gigantes no centro de Recife com uma simples canetada do Presidente do IPHAN.

A fusão da Cultura com a Educação é um engodo. Trata-se de um desmonte da cultura do Brasil.

Assim define Pedro Vasconcellos que, até ontem, era o Diretor de Políticas Culturais Estudos e Monitoramento do Minc:

Queremos um casamento da Cultura com a Educação, onde duas políticas andem juntas lado a lado, preservando suas identidades, onde a cultura contribua para a  qualificação da educação e a educação contribua par ao desenvolvimento cultural. Isso que eles fizeram ontem é o casamento forçado do Coronel com a filha do outro Coronel que vende o dote, representa uma visão de mundo atrasada e reacionária.

Artistas brasileiros escreveram Carta Aberta em defesa do MinC e várias organizações, artistas e intelectuais do mundo todo deverão se manifestar. Com a extinção do MinC, o Brasil vai virar um pária internacional na área da cultura.

Enquanto as grandes democracias do mundo reforçam hoje suas políticas para a cultura – pois sabem que a cultura é economia poderosa – o Brasil pode abrir mão de seu acumulo institucional no setor e retomar paradigmas obsoletos. Não apenas pela eliminação do MinC, mas por ausência de uma política para o setor. (Alfredo Manevy)

Para o ex-ministro Juca Ferreira:

O Brasil construiu um Ministério da Cultura contemporâneo, preparado para lidar com os problemas que remanescentes do século XIX, todos os do século XX que continuam ai, e já enfrenta os novos do século XXI. Portanto conseguimos produzir uma grande capacidade de enfrentar essa complexidade que é o Brasil, com essa fusão retrocedemos mais de 30 anos de esforços do estado brasileiro com a política cultural.

Em seu Facebook, o ex-ministro postou a Despedida de “Todos juntos” do MinC.

A luta contra o retrocesso proposto por um governo golpista não poderá parar, nem um minuto sequer.

(Reflexões sobre o fim do MinC)

Quem não tem compromisso com a cultura brasileira não tem compromisso com o povo brasileiro.

Ou tem um: o de não permitir que ele tenha identidade e, tendo identidade, pense seu país.



2 Comentários

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  • Onde estão os “artistas” da globo golpista? Começando a refletir sobre o lado errado da história! A quadrilha interina quer diizimar a cultura para se instalar e dominar o pais!

  • a rede globo é um atraso de vida, manipulação de massa, quando os vidiotas e midiotas vão começar a pensar…… me parece impossível que em pleno século XXI e com tantas informações as pessoas se percam com o Glamour e as manipulações…me deixa muito triste.
    . “As pessoas deveriam querer informações e noticias que as façam pensar, refletir, e não manipulá-las. Seria mais inteligente…..
    Impeachment é destituído de legitimidade porque excluiu o povo”……., diz Joaquim Barbosa

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