Imprensa internacional repercute o Golpe

Imprensa internacional repercute o Golpe

Imprensa internacional repercute o Golpe – Foto: Pagina12

A imprensa internacional repercutiu a admissibilidade do processo de impeachment chancelada pelo senado e retratou o cenário de golpe de Estado.

Mídia estrangeira critica admissão do impeachment e lamenta golpe

A aprovação da admissibilidade do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff  e o governo interino do golpe de Michel Temer foi o maior destaque das páginas dos principais veículos de todo o mundo.

Em editorial publicado nesta sexta-feira (13), o principal jornal dos Estados Unidos, The New York Times, afirmou que o impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff é uma punição desproporcional para uma política que, ao contrário de seus julgadores, não enfrenta acusações de corrupção ou favorecimento pessoal.

A imprensa alemã reportou o momento político atual como de “falência do Brasil”.

O site do “Deutsche Welle (DW)” traz texto intitulado “Um país perde”, em que afirma que “o grande e orgulhoso Brasil terá que se resignar a, no futuro, ser citado por historiadores” junto das nações que tiveram seus presidentes “afastados de forma questionável do cargo”.

Na análise do semanário “Die Zeit”, o afastamento de Dilma é “a declaração de falência do Brasil”. O jornalista Michael Stürzenhofecker afirma que o país queria se apresentar como uma nação moderna com os Jogos Olímpicos, mas o processo de afastamento de Dilma é um “recuo nos velhos tempos” e também os 31º Jogos não serão realizados numa “democracia sem máculas”.

No “Süddeutsche Zeitung”, a análise “Estes homens derrubaram a presidente” apresenta uma relação de todos os envolvidos no processo. “Na opinião de muitos juristas, as acusações são tênues, muitos chefes de Estado antes de Rousseff agiram de forma semelhante e não foram afastados do cargo. A queda de presidente é muito mais o resultado de intrigas políticas, costuradas pelos adversários de Rousseff.”

Em editorial, o jornal britânico The Guardian afirmou que o sistema democrático brasileiro se rompeu com a decisão da quinta-feira (12) de admitir o processo de impeachment contra a presidenta democraticamente eleita. O texto, intitulado “O sistema político que deveria estar em julgamento, e não uma mulher” lembra que Dilma foi atacada por um preconceito machista pela sua liderança feminina, e pela direita brasileira que nunca se conformou inteiramente com a ascensão do PT.

O texto também lembra que Dilma é a única que não enfrenta acusações de corrupção, enquanto seus julgadores,  inclusive o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, estão envolvidos em escândalos. Nesse sentido, segundo o jornal, o ponto final para que houvesse a derrubada da Dilma foi a realização, por parte dos políticos corruptos, de que a Operação Lava-Jato poderia comprometê-los.

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O site Americas Quartely afirmou que Dilma foi a política que mais combateu a corrupção. Além disso, o texto ressalta que a presidenta permitiu que as instituições de controle efetivamente funcionassem, sem interferências na Polícia Federal ou nas instâncias judiciárias.

Também lembra que não há nenhuma denúncia de corrupção pesando sobre a presidenta, o que não ocorre com o presidente golpista Michel Temer, que deve ficar inelegível pela Lei da Ficha Limpa e foi citado em inúmeras delações premiadas da Operação Lava-Jato.

“Rousseff genuinamente esteve focada em melhorar a legendária pobreza e desigualdade do Brasil”, afirma a reportagem. Segundo o autor, a preocupação de Dilma com o futuro a largo prazo do Brasil e a necessidade de construir instituições que funcionem eram ainda maiores do que o desejo da presidenta de permanecer no cargo e proteger seu partido.

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Na quinta-feira (12), a revista científica Nature publicou matéria em que afirma que a decisão de Temer de unir o Ministério da Ciência e Tecnologia com o de Comunicações irritou a comunidade científica brasileira e gerou manifestações de repúdio em associações. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em conjunto com outras entidades científicas publicaram textos em que afirmam que a decisão vai prejudicar o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do país, e que as duas pastas tem funções completamente diferente, que não poderiam ser unificadas.

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Na quinta-feira (12), “The Washington Post” escreveu: “Primeira presidente mulher do Brasil é substituída por homem com esposa 42 anos mais jovem que ele”.

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“The Huffington Post” deixou a frase “Golpe concluído no Brasil” na capa do site. Veja:

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No argentino “Página 12″, o golpe foi destaque na edição impressa. O jornal publicou ainda o texto “O homem dos 2%”, fazendo referência à baixa popularidade de Michel Temer.

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No jornal mexicano “La Jornada”, o texto destaca que chegarão ao governo partidos que foram “sucessivamente derrotados” nas últimas eleições – PSDB e DEM. Segundo “La Jornada”, o governo de Temer não será de ‘notáveis’ porque “os melhores de cada especialidade dificilmente participariam de um governo ilegítimo”, além de que Temer “carece de apoio popular e de poder de decisão”.

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O jornal britânico “The Guardian” acompanhou a votação e publicou no dia 12 de maio: “Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, terá que sair do cargo por ao menos seis meses, enquanto ela é julgada na Câmara Alta [Senado] por alegadamente manipular contas do governo antes da última eleição. Seus juízes serão senadores, muitos dos quais são acusados de crimes mais sérios”.

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Já o norte-americano “The New York Times” afirmou que, apesar de seu afastamento, Dilma “é rara entre políticos de alto escalão no Brasil na medida em que não enfrenta acusações de enriquecimento ilícito”.

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A agência de notícias “Prensa Latina” repercutiu a sessão do Senado, destacando a defesa apresentada pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. “Querem construir uma tese, uma fantasia retórica para tirar do cargo uma presidente democraticamente eleita”.

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A multiestatal “Telesur” acompanhou minuto a minuto a votação do processo e escreveu que o Brasil será comandado a partir de agora por Temer que, “há meses vinha preparando um projeto de governo abertamente neoliberal”. Para ele, início do processo de impeachment  “é um claro indício de que se enterra o modelo de democracia representativa e se substitui por um governo de monopólios e grupos financeiros”.

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Para o italiano “Corriere della Sera”, o Senado disse “sim” ao impeachment, mas Dilma ainda tem esperança de retorno. Segundo o jornal, o caminho do presidente golpista não será fácil. Temer terá que enfrentar a resistência de parlamentares do PT que anunciaram a “obstrução sistemática” de todas as propostas feitas por ele. “O Brasil vive o segundo ano consecutivo de recessão severa e tudo está num impasse há meses devido à crise política”, diz a publicação. Temer vai pedir que o Congresso apoie uma forte manobra para colocar as finanças públicas em ordem e nomear novos ministros. “É preciso resultados rápidos, que justifiquem uma inversão que tem levantado muitas dúvidas, mesmo fora do país.”

Da Agência PT de Notícias.

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