De onde vem a expressão República de Bananas?

De onde vem a expressão República de Bananas?

De onde vem a expressão República de Bananas? – Foto: Reprodução

As pessoas utilizam este termo para se referir, por exemplo, à ineficácia da justiça brasileira. É uma república de bananas o país que mantém livre um sujeito como Eduardo Cunha.

O termo foi cunhado pelo escritor americano William Sydney Porter, conhecido como O. Henry, no conto O Almirante , de 1904

A história do conto se passa na Anchuria, país fictício descrito pelo autor como “uma pequena república de bananas”. Acredita-se, porém, que Porter tenha se inspirado em Honduras, onde morava quando escreveu a história.

À época, o uso dessa fruta em particular para rotular países inteiros tinha uma base real.

“Até o fim do século 19 e começo do século 20, as empresas americanas, sendo que a mais simbólica era a United Foods (hoje Chiquita), começaram a fazer plantações de bananas em série e criariam enclaves modernos em repúblicas da América Central”, disse à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, o historiador Luis Ortega, professor da Universidade de Santiago do Chile.

Segundo ele, as “repúblicas de bananas” eram literalmente os países tropicais produtores de bananas e, com isso, dependentes da renda de empresas americanas.

Mas, como explica Ortega, o termo acabou ganhando um significado mais amplo ao migrar para os estudos políticos.

A expressão passou a fazer referência a países marcados pela monocultura e dotados de instituições governamentais fracas e corruptas, nos quais uma ou várias empresas estrangeiras tem o poder de influir nas decisões nacionais.

Para Ortega, que viveu por dez anos na Grã-Bretanha, o que chama a atenção é que os anglo-saxões não aplicam a expressão a países que estejam fora da América Latina e do Caribe.

Modernidade, violência e morte

Em seu livro Cem Anos de Solidão , o escritor colombiano Gabriel García Márquez descreveu a instalação de companhias bananeiras na região como algo que trouxe modernidade, mas também violência e morte.

Em seu livro Bananas: How the United Fruit Company Shaped the World (“Bananas: Como A United Fruit Company Moldou o Mundo”, em tradução livre), o jornalista Peter Chapman afirma que, ao se instalar na região, esta e outras empresas concordavam em construir estradas, ferrovias e portos em troca de terras onde a banana seria produzida.

O truque era que, às vezes, os serviços instalados só beneficiavam as próprias companhias e seus negócios de exportação de bananas.

Mas isso não é o pior. Para citar alguns exemplos, há também o “o envolvimento da companhia em uma invasão em Honduras, um massacre na Colômbia e um sangrento golpe de Estado na Guatemala”, segundo a editora do livro, a Grove Atlantic.

Sobre a Guatemala, um executivo da United Fruit disse a Chapman que “a Guatemala foi eleita como sede das primeiras atividades de desenvolvimento da companhia porque, quando entramos na América Central, o governo da Guatemala era o mais fraco, corrupto e flexível da região”, de acordo com o jornal The New York Times .

Extraído do Portal Terra.

1 Comentário

  • não só o Cunha, o próprio Temer que cometeu os mesmos “crimes ” da Dilma….porque este tratamento diferente……..é República das bananas mesmo

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