Padre Josimo Tavares: A luta continua!

Padre Josimo! A luta continua

Padre Josimo Tavares: A luta continua!

O site Nossa Política faz uma homenagem a Josimo Moraes Tavares, um padre que entregou sua vida em nome da luta pelos mais pobres.

Artigo de Clemir Fernandes.

Era 10 de maio de 1986. Passava das 15 horas. Ele subia a escada do prédio da Diocese, ao lado da Igreja matriz, no centro nervoso da cidade de Imperatriz, MA. Um pistoleiro, ao pé da escada, chama seu nome. Ao virar-se para atender, tiros são disparados e levam-no ao chão. Martirizado, é conduzido ao hospital, vindo a morrer momentos depois. Desta maneira brutal, injusta, perversa, diabólica, chega ao fim a breve, mas intensa vida do padre Josimo Moraes Tavares.

Nascido em Marabá, PA, em 1953, filho de lavadeira, o parto aconteceu na própria tábua de lavar roupas, às margens do Rio Tocantins, onde sua mãe trabalhava. Com dois anos de idade seu pai abandonou a família, tendo sua mãe mais dois irmãos. Lutando para sobreviver, dona Olinda migrou para Xambioá, GO. Ali, Josimo estudou, com apoio da igreja e depois, sentindo-se vocacionado para o ministério sacerdotal, transferiu-se para o seminário menor, em Tocantinópolis, GO, sede da prelazia.

Pobre, negro, sem pai, muito tímido, Josimo conseguiu estudar com enormes dificuldades. Vendo seu desenvolvimento, o bispo o encaminhou para Brasília, onde continuou sua formação. Depois seguiu para Aparecida do Norte, SP, e finalmente Petrópolis, onde foi aluno de Leonardo Boff.

Concluída a formação, Josimo retornou a Xambioá, tendo sido ordenado padre em 20/01/1979. Passou a servir numa localidade vizinha, Wanderlândia, como vigário auxiliar e diretor do Colégio Nossa Senhora da Conceição. (Neste estabelecimento de ensino, a vida deste redator, que estudava a quinta-série, se cruza com a do padre Josimo).

Após três anos de intenso trabalho pastoral e profético, Josimo conquistou muitos amigos e admiradores e alguns inimigos e desafetos, devido sua postura evangélica em favor dos pobres, da justiça e contra todo tipo de opressão. Transferido para a região do Bico do Papagaio, no extremo norte do então Estado de Goiás (hoje Estado do Tocantins), Josimo continuou seu ministério, na igreja e na Comissão Pastoral da Terra, educando, formando e organizando os trabalhadores.

Simples, afetivo e acolhedor, trajando geralmente calça jeans ou de tergal, camiseta e sandália havaiana (até mesmo no altar, celebrando missas), assim era Josimo. Um pobre entre os pobres. Um homem de Deus, a serviço do Reino, dedicado aos pobres e injustiçados.

Essa maneira de compreender Jesus de Nazaré e viver a serviço de Deus, levou Josimo a ser morto pelas estruturas da violência, do coronelismo, da morte, com a discreta omissão dos poderes da Nova República. Tantas vezes o presidente José Sarney e o ministro da justiça foram notificados de que o padre corria risco de vida, mas nada efetivamente foi feito! Em 10 de maio de 2006, recordou-se, tristemente, os 20 anos do assassinato do padre Josimo Moraes Tavares, quando tinha apenas 33 anos de vida!

Sua luta pastoral, entretanto, não foi em vão. Embora haja muita terra a ser possuída, muita dignidade a ser construída, muita justiça a ser executada, pergunte-se aos moradores de Sampaio, Buriti e outras localidades do extremo norte do Tocantins, para entender a dimensão do trabalho do padre Josimo.

Quanto ao assassino e mandantes do crime, embora tenham sido identificados, permanecem impunes.

Josimo morreu. É uma perda que nunca será reconquistada, mas sua vida pacífica continua como semente e fonte de inspiração para tantos que lutam por justiça e dignidade, nesta nossa terra marcada pela violência e injustiça, mas também pela teimosia da esperança.


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