Operação Mosquito: o plano para derrubar o avião de Jango

Operação Mosquito: o plano para derrubar o avião de Jango

Operação Mosquito: o plano para derrubar o avião de Jango

O retorno do vice-presidente João Goulart a Brasília, em 1961, foi marcado por sobressaltos. Oficiais da aeronáutica tramaram derrubar o avião.

O deslocamento do vice-presidente João Goulart em direção à capital federal, em 1961, foi marcado por sobressaltos. O maior temor dos legalistas era em relação à Operação Mosquito, como foi batizada a sublevação de um segmento de oficiais da Aeronáutica que pretendiam derrubar o avião presidencial. Nada de mais aconteceu, afinal, mas em vários momentos temeu-se que a ameaça pudesse se concretizar.

O primeiro ato aconteceu em Montevidéu, de onde Jango partiria para o Brasil. Foi realizada uma operação de despiste, pretendendo que ele viajaria a Porto Alegre por terra, mas na realidade a comitiva embarcou num Caravelle da Varig, no aeroporto da capital uruguaia. A saída foi demorada, com muitas informações desencontradas sobre se o vice estaria ou não a bordo. O avião voou todo o tempo com as luzes apagadas e a uma velocidade que impediria uma eventual interceptação por parte dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB).

A parte mais crítica foi quando Goulart, já em Porto Alegre, se preparava para voar em direção a Brasília, a fim de assumir a presidência, após definida e aprovada por consenso a adoção do regime parlamentarista. O empresário Ruben Berta, presidente da Varig, se ofereceu para ir junto no avião e garantir que nada acontecesse. Mas, até o último minuto, a chegada à capital federal era incerta.

Contrária à Operação Mosquito, e com a participação de sargentos e suboficiais de Brasília, montou-se uma Operação Tática, a fim de impedir a ação dos aviadores golpistas. A base da Operação Tática foi o Aeroporto Salgado Filho, na capital gaúcha. Entre as iniciativas, estava a tentativa de impedir que os demais aeroportos do trajeto obtivessem informações sobre o plano de voo e a divulgação de dados meteorológicos falsos sobre a Região Sul.

Reunião para impedir o ataque

O presidente interino Ranieri Mazzilli precisou convocar com urgência os ministros militares, com os quais traçou um plano de ação emergencial. Em reunião com Odílio Denys, da Guerra; Grun Moss, da Aeronáutica, e Sílvio Heck, da Marinha, na madrugada de 5 de setembro, Mazzilli interpelou-os sobre a falada Operação Mosquito: “Por que a Aeronáutica pode criar condições de ameaçar, mas não pode obstruir a operação?” Isso diante da colocação dos chefes militares, de que não dispunham de condições técnicas para conter aquela ameaça.

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Segundo os autores Paulo Markun e Duda Hamilton, em 1961- Que as Armas não Falem, partiu de Ernesto Geisel, então chefe da Casa Militar, o questionamento que resolveria o problema: “não podemos controlar a situação com os dispositivos que temos em terra, de onde vão partir nos aviões?” Foi quando o ministro Denys concordou: “Vamos tentar, é possível…”

Como a Aeronáutica havia fechado o aeroporto em São Paulo, o avião de Jango demorou a sair de Porto Alegre. Ficou decidido que o Exército colocaria suas tropas como proteção no aeroporto de Brasília. O pouso do Caravelle só foi possível com a divulgação de um manifesto dos três ministros militares, assegurando o desembarque seguro. Quem assina o comunicado é Denys. Um trecho diz: “As Forças Armadas asseguram as garantias necessárias do desembarque nesta capital, nesta data, do presidente João Goulart, a sua permanência em Brasília e a sua investidura na Presidência da República”.

Mas os parlamentares que estavam à espera do virtual presidente no aeroporto recordam que nada estava decidido, até o último minuto. Em Porto Alegre, Jango recebia, por rádio, mensagens do presidente do Congresso, Moura Andrade, mas queria ter certeza de que era mesmo o parlamentar o autor das comunicações.

A viagem de Goulart foi desmarcada duas vezes e atrasou. Às 17h30min do dia 5 de setembro, finalmente, o vice embarcou no Caravelle. Do aparelho, haviam sido retirados alguns assentos, a fim de que pudesse transportar mais combustível, para uma eventual emergência. Jango estava acompanhado pelo presidente da Varig, Ruben Berta, por deputados e outros políticos. Na chegada em Brasília, às 20h15min, Mazzilli aproximou-se, abrindo os braços para Jango, e saudou: “meu presidente!”. Nenhum dos três ministros militares esteve presente ao desembarque. Um cortejo de 3 mil veículos acompanhou o carro oficial pelas ruas da capital, até a Granja do Torto.

Fonte: Sul21

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